sábado, 28 de novembro de 2009

O LHC será religado nesse mês de Novembro de 2009



O LHC será religado nesse mês de Novembro de 2009 e diante de tantas especulações catastróficas sobre esse fato – O CACP resolveu entrevistar um especialista nessa área.
Nosso entrevistado é Dalton Gerth: ele é físico e Docente Titular da Universidade Anhanguera.

CACP: O que é o LHC e pra que serve?
Dalton: Embora, a primeira vista, dê a impressão de uma pergunta direta, esta questão envolve inúmeras questões. Vou tentar explicar, baseado no conceito leigo. Primeiro que as letras LHC significam Large Hadrom Collider, ou algo como Grande Colisor de Hadrom. Só aqui, existem inúmeras questões para serem resolvidas, como: O que é um hadrom? Porque eles se colidem? Então vou me explicar inicialmente, derivando em inúmeras outras questões:
1ª) O que é um Hadrom?
Hadrom é um conjunto de partículas formadas por partículas bem elementares, que se unem através dos quarks.
2ª) O que é um quark ?
Quark é um dos dois elementos *básicos* (na física de partículas), que formam a matéria. O Outro elemento chama-se lépton.
3ª) O que é um lépton?
É a “cara-metade” de um quark, onde, como informei acima, é formada toda a matéria. A diferença básica entre eles é que os leptons basicamente não possuem massa (por isto o nome Lépton do grego Leve), enquanto os hadrons são pesados. Um elemento básico que aprendemos no ensino fundamental, e que está na *família* dos léptons são os elétrons. Em outro lado, os Nêutrons e os Prótons (que possuem massa, ou seja, *pesam* ), fazem parte da *família* dos hadrons.
4ª) Agora, para que serve algo que irá colidir?
Nesta pergunta, quero me estender um pouco. Vou fugir um pouco do tema, apenas para melhorar a nossa capacidade intelectual. Um dos fatores que está ocorrendo agora é a descoberta de exoplanetas, ou seja, de possíveis planetas que pode conter vida, mas que está fora de nosso sistema solar. Algumas vezes, vemos algumas fotos, e não nos preocupamos em saber como essas fotos foram tiradas.
Muitos dizem que são fotos, mas, infelizmente hoje ainda não temos esta tecnologia. Então como são descobertos estes planetas? Imagine que um planeta, passa na frente de uma estrela, então há uma *sombra* nela correto? Pronto, o planeta foi descoberto. Agora como saber se um planeta possui água, pois o que conseguimos detectar é o *sol* onde este planeta está circulando, e geralmente, a luz emitida por este *sol*, é 10.000.000 (Dez milhões) de vezes, menor no planeta. Quanto é 10 milhões de vezes? Imagine você, a 5.000 Km de distância, olhando com um binóculo. Aí você olha um farol. Este farol é o *sol* do outro sistema solar. Então você consegue detectar que, um vaga-lume, passou na frente deste farol, pois causou uma *sombra*. Pronto, o planeta foi descoberto. Agora, você precisará saber se este planeta tem água, metano, clorofila, e outras coisas. Para fazer isto, existem inúmeras outras técnicas, baseadas na questão espectômetra, mas é assunto para outra conversa. Voltando a nossa pergunta. Para que serve, algo que vá colidir? Imagine que você tem dois aviões. Você não sabe como eles foram feitos, nem como desmontá-lo. Mas você quer saber do que foram feitos, como foram feitos, e para que servem. A melhor coisa a fazer é colidí-los. Quanto maior o impacto, menores partículas deste avião restarão, e mais detalhes serão descobertos.
CACP: O que os cientistas esperam descobrir com ele?
Dalton: Os cientistas querem reproduzir com este "impacto" as condições do surgimento da matéria, logo após o Big-Bang, ou seja, que é a teoria que pretende descrever o surgimento do Universo. Falando um pouco mais complicado agora, os cientistas estão atrás de uma partícula chamada de Bóson de Higgs, que, dizem as más-línguas, é a única partícula prevista que ainda não foi descoberta. Esta partícula é também conhecida como partícula de Deus.
CACP: Qual a diferença desse acelerador de partículas e os existentes anteriormente a ele e por que esse causa tantos comentários?
Dalton: Todos os outros *aceleradores de partículas* criados, colidiam elétrons, anti-prótons, mas nunca prótons e prótons. A grande questão sobre os comentários está fomentada em dois cientistas havaianos (isto mesmo, eles são da ilha do surfe), chamado Walter L. Wagner e Luiz Sancho, que acredita que a colisão, pode ter, digamos, alguns efeitos colaterais. Micro-buracos negros, túnel temporal, devastação da Terra. Particularmente, eu acredito em uma exposição midiática destes dois sujeitos. E parece que os mesmos criaram uma grande *multidão*, de seguidores, que, mesmo não tendo a mínima idéia disto tudo, concorda que é algo que pode destruir a terra. Felizmente, isto não vai ocorrer. Na verdade, nós, meros mortais, não *sabemos* o que irá acontecer, quando os hádrons colidirem, mas lembramos que muitas coisas não são divulgadas ao público. Quem pode dizer que já não ocorreu esta colisão, e não foi divulgado a imprensa?
CACP: O que seria a matéria de Deus?
Dalton: O termo correto seria Partícula de Deus, e não matéria. Seu nome técnico chama-se Bóson de Higgs. Como isto é algo ainda mais complicado vou tentar novamente fazer outra comparação. Quando Albert Einstein previu a Teoria da Relatividade, para a Teoria tornar-se algo mais palpável ele precisava prová-la. Ele então viu que, se fotografasse a Lua em um eclipse total, sua teoria teria como ser provada. Ou seja, ia tornar sua *teoria*, algo mais factual. Peter Ware Higgs criou também uma teoria, onde só seria possível tornar-se verdadeira, através de uma complexa máquina, que, ao colidir dois Hádrons, conseguiríamos saber se ela *realmente* existe. E esta matéria é tão complicada, tão complicada, que só irá *aparecer*, no LHC.
CACP: Recebemos a informação que certo religioso disse que o LHC era feito para matar Deus - o que você acha de um comentário desses?
Dalton: Então. Quando Nicolau Copérnico tentou comprovar a questão do Heliocentrismo, ou seja, que o Sol é o centro do Universo e não a Terra, a Igreja Católica (na época), não aceitava de nenhuma forma esta teoria, porque seria “contra Deus” e ”contra a Bíblia”. Isto baseado principalmente em alguns trechos isolados e distorcidos da exegese bíblica. Lembramos também que a própria Igreja Católica ainda faz devoção a santos, crê que Maria está no céu, e também é nossa co-redentora, mas isto é outro capítulo e só prova quanta confusão fez e faz o Romanismo.
Na minha simples opinião, muita gente (aliás, acredito que muita gente mesmo), ajuíza que o LHC servirá para destruir o mundo, destruir Deus, acabar com o que acreditamos ser a “verdade”, ou “não ser verdade”. Eu particularmente tenho algo mais abalizado em mente: Jesus Cristo nasceu e morreu, para que pagasse todos os nossos pecados – isso é o mais relevante. Quanto ao fim do mundo, eu não me preocupo com isto, e quem confia em Deus deveria pensar o mesmo. Utilizando uma frase de certo pensador: Existem tantas coisas entre o céu e a terra, que sequer sonha nossa vã filosofia.
CACP: O LHC poderia servir para provar alguma teoria contra a existencialidade Divina?
Dalton: Como toda certeza vai gerar conjecturas tanto a favor como contrariamente. Vou novamente fazer um silogismo. Veja estas três situações:
1º) Quando W. Shakespeare escreveu Sonetos, havia cerca de 90.000 palavras no dicionário inglês. Hoje, o mesmo dicionário possui mais de 540.000 palavras.
2º) Em 1.910, ocorreu um *alvoroço* (de acordo com as informações da época), porque muitas pessoas diziam que o cometa de Halley, foi o mesmo descrito em Mt 2:1-2, e na época, criou-se a tese de que, agora, este *cometa* estava anunciando o nascimento do anti-Cristo.
3º) Acredito que, desde o ano de 2.004, devo ter recebido mais de 500 emails, falando sobre a *marca da Besta*. O chip que todos precisarão ter na mão direita. Quem não tiver, será perseguido, e não poderá comprar nada. O nome da *marca da besta*, chama-se Mondex.
Mas enfim, o que significam estas três observações?
Na primeira, se você falasse com qualquer habitante da época, e em suas palavras utilizasse: Clique, Site, Computador, Infra-Vermelho, inflação, impeachment..., você estaria sendo colocado como alguém que era contra Deus, porque estava falando palavras desconexas, não conhecidas, e que na verdade, você estaria invocando nome dos supostos demônios;
Na segunda, se isto fosse realmente verdade, este tal *anti-Cristo*, teria 99 anos..., um pouco *velho* demais para ser o Anti-Cristo, em minha opinião.
Na terceira, a marca Mondex, realmente existe. São os *chips*, que estão agora, em praticamente todos os cartões de crédito. Ele pertence (a marca) MasterCard. Não existe, de maneira efetiva até agora, nenhum projeto de *implantar* este chip na testa, na mão, ou em qualquer lugar do corpo humano.
Utilizando um jargão popular, os três exemplos acima podem ser classificados como "procurar pêlo em ovo!". Não duvido que, daqui a alguns anos (principalmente na Era de Informação, que vivemos), surgirão vários "conhecedores profundos de física", mesmo tendo apenas um ensino médio incompleto, para dizer que a Ciência “provou” que Deus não existe e que isto é o início para o fim-do-mundo. Alguns provavelmente inventarão que o LHC é então a própria Besta que registra o apocalipse. Algumas pessoas, da melhor das boas intenções, estão “achando” (de achismos mesmo), que o LHC é uma “máquina” para dizer se Deus existe ou não existe - o que não é.
CACP: Quais suas considerações finas?
Dalton: Acredito que tentei chegar o mais próximo possível de um leigo para tentar "explicar", utilizando muitas vezes inúmeros silogismos e exemplos, do que é O LHC, e do que realmente significa colidir Hádrons. Não se preocupe, se você mesmo ou então, outro leitor qualquer, não tiver entendido nada. Imagine ir no ano de 1.900 (pouco mais de 100 anos atrás), e dentro daquela cosmovisão de mundo, tentar explicitar como funcionaria a Internet hoje. Ou então, sem irmos longe demais, tente explicar para qualquer usuário de computador, que não é da área, que tudo (e Tudo é TUDO mesmo), o que ele faz no computador, é armazenado no sistema binário, ou seja: 0 OU 1.
O importante é que todos fiquem tranquilos, o máximo que pode acontecer com o LHC é aparecer muitas melhorias tecnológicas para a nossa comodidade.
CACP: Agradecemos ao professor Dalton Gerth pela entrevista e por todos os úteis exclarecimentos.

sábado, 21 de novembro de 2009

OMG News: Pr. Marco Feliciano será candidato a Deputado Federal

Realmente filiou-se ao PSC, é candidato a deputado federal?
Pr Marco, em Orlândia então temos dois candidatos, um a deputado federal – Pr Marco Feliciano e outro a deputado estadual pelo PPS – Estevão, ex-prefeito da cidade.

Você conversou com o Estevão apesar da diferença de partidos existe uma parceria antes ambos?


Quantos votos aproximadamente são necessários no PSC para se eleger deputado federal?
O companheiro Ricardo falou a poucos instantes atrás sobre apoio político. Apesar de não ser do nosso estado, mas o pastor Marco é amigo particular do senador Magno Malta, hoje um nome reconhecido em todo o Brasil, e tenho certeza que se precisar ele virá apoiá-lo.



O que isso representa nessa sua campanha?
Aproveitando mais um gancho do amigo Ricardo, que falou que o Pastor nunca teve uma experiência como vereador, deputado ou prefeito. Nunca foi candidato.


Futuramente Pastor te passa pela cabeça de ser candidato a prefeito de nossa cidade?
Pr. Marco Feliciano: Quem sabe. Mas primeiro quero lutar pela Câmara Federal.
Eu tenho um sonho, quero ser Senador e como Senador eu teria uma posição muito estabelecida dentro do país, inclusive eu tive uma chance de sair ao senado agora pelo norte do país, dois estados do norte do país vieram me procurar, bastaria com 3 meses eu me filiar lá, arrumar uma casa, ter um endereço poderia ter saído por lá. Estou saindo pelo Estado de São Paulo e acredito que possamos chegar lá.
Queria somente pegar um gancho aqui e falar que eu conto não só com a ajuda de Orlândia, mas com a ajuda da região. Todas as cidades circunvizinhas São Joaquim da Barra, Morro Agudo, Sales Oliveira, Nuporanga, conto com a ajuda de todo mundo. É uma luta mais do que política, é uma luta pela nossa cidade.
Quem sabe, depois dessa entrevista eu consiga marcar alguma reunião com alguns prefeitos, vereadores da região. E eles possam me dar uma mão nesse sonho. Ouvi falar que cavalo que já está marcado para ganhar, todo mundo quer apostar nele. Então quem sabe alguém resolve apostar no Pastor Marco, porque como eu disse são 11 milhões de evangélicos no Estado de São Paulo eu preciso que somente 90 mil deles me ajudem, mas se a minha cidade me ajudar e todo mundo me ajudar a gente pode chegar lá e fazer um bom trabalho.
Em contra partida depois que as urnas forem apuradas e eu ver que na região as pessoas que puderam me ajudar e não me ajudaram o tratamento tem que ser dado da mesma forma. Sinto que temos que ser querido com quem é querido conosco e não ser ruim com quem é ruim. John Kennedy disse uma frase certa: “eu perdôo meus inimigos mas nunca esqueço o nome deles!”.
Então fica um recado dado a toda a população, a toda a região que se puderem ajudar um filho da Terra, um menino criado na Vila Tatu, que saiu da Creche Getúlio Lima, que trabalhou na Rua 1 como Guarda Mirim, trabalhou na Casa São João, trabalhou na Intelli, que engraxou sapato nas ruas da cidade, que tem uma história em Orlândia. Acredito que é um sonho e podemos chegar lá. Só que não posso sonhar sozinho, uma andorinha sozinha não faz verão. Bem, nessa hora vemos de fato os amigos.
Tenho vários deputados amigos, são mais de 17 deputados amigos. Gente até de expressão no país, tem o Magno Malta que é senador, tem o governadores que são amigos particulares Sérgio Cabral, Eduardo Paes – que inclusive me mandou um e-mail hoje que ele está na França degustando aquela vitória bonita do Brasil, ele mandou um e-mail dizendo que a “honra e a glória tem que ser dada a Deus e a alegria fica pra gente”. Então são pessoas que se eu der um grito, é claro que vão vir, mas acredito que seja desnecessário tudo isso.
Acredito que se a cidade parar, olhar, fazer os cálculos, botar essa equação num papel e dizer calma aí, é possível a gente conseguir chegar lá. Mas se for preciso a gente traz. Acredito que com 80/90 mil votos pelo PSC, que é um partido médio já, não é mais um partido pequeno, só que também não é um partido grande como o PMDB, com 90 mil votos acredito que estou eleito. Vou ter que brigar por 90 mil votos.
Orlândia tem aí, se não me falha a memória 22 mil eleitores, é claro, eu seria um maluco se acreditasse que a cidade toda, que pela primeira vez a cidade pode se unir ao redor de dois nomes, o meu e o do Estevão. O Estevão acho que precisa de 50, 60 mil votos e eu pre-ciso de 90 mil. Imagina se saíssemos aqui da cidade com 20 mil votos cada um. Já estaríamos aí com um gás para trabalhar pela vitória de fato. O Estado de São Paulo no último censo do IBGE em 2005, apontou 11 milhões e 200 mil evangélicos, desses 11 milhões e 200 mil acredito que 9 milhões me conheçam, então vou ter que conquistar aí pelo menos 1% desse grupo evangélico para me apoiar, se 1% deles apoiar estamos dentro. Todo apoio nessa hora é bem vindo.
O único vereador que conversei na cidade é a Bernadete, que além de vereadora é ovelha da minha igreja, então eu converso muito com ela, ainda não procurei nenhuma liderança política da cidade, até porque eu desconheço esse mundo, até pedi para o Estevão ele que está articulando aí para mim, para ver como vamos fazer, para nos apresentarmos para a cidade toda daqui a alguns dias e eu preciso sim.
Até para eles eu mando um recado. Que todos os vereadores, inclusive o prefeito, vice-prefeito, que se pudessem por um momento só, isso pode cheirar “traição”, mais não é traição é por um bem maior, é pela cidade. Esquecer agora a nomenclatura do seu partido, e não esquecer quem te ajudou, é claro que não, mais pensar na sua cidade, pensar no seu filho, pensar no seu neto, bisneto, porque o que for plantado agora vamos colher nós e a nossa família.
Agradecemos sim aos outros deputados que sempre fizeram coisas por Orlândia, inclusive o Arnaldo Jardim, que veio aqui dias desses, até o Estevão veio conversar comigo e já veio pessoas perguntar para mim, nossa, foi já foi traído antes de começar? Não, não fui traído, o Estevão é um camarada íntegro, veio falar comigo, eu entendi ele perfeitamente, eles têm uma amizade política, eles sempre trabalharam juntos, eu seria um grosso, um truculento se falasse para eles, não, não quero, nada disso.
Tem espaço para todo mundo. Ele fez um trabalho, o Arnaldo Jardim foi apresentado, mas eu queria só que as pessoas colocassem uma lente de aumento nos olhos agora e enxergasse o futuro, o amanhã. Porque é claro que aqueles que me apoiarem hoje se amanhã Deus permitir que eu chegue lá, a gente vai se lembrar deles, pois isso é notório, uma mão lava a outra e as duas lavam o rosto.
Espero sim que a população toda e os vereadores da cidade, as pessoas das classes A, B, C, D, E, do gari ao mega empresário que parassem por um momento e pensar em Orlândia, para a gente para de pensar no nosso próprio umbigo e pensar que o mundo gira em torno de tudo aquilo que a gente quer. A cidade precisa crescer, é uma vergonha eu digo isso de peito aberto, saber que uma cidade como a nossa perdeu tanto para cidades da região. A cidade de São Joaquim simplesmente deu um banho na cidade de Orlândia nos últimos anos, nada contra a cidade de São Joaquim.
Lá tem quase tudo e Orlândia tem o que? Onde é que nossos filhos irão trabalhar? Temos três, quatro, cinco ônibus que saem daqui e vão todo dia para Ribeirão Preto as pessoas vão fazer faculdade e onde vamos estabelecer esse pessoal, onde vamos colocar esses adolescentes? Daqui a pouco terminam a escola, terminam seu curso e acontece como acontece comigo eu quase não estou aqui, e só hoje já recebi umas três pessoas com currículos de filhos e currículos invejáveis, gente que fez faculdade e não tem onde trabalhar e porque? Porque falta alguém para ter essa visão para a cidade, para trazermos para a cidade coisas que podem ser conquistadas.
Sei que podem ser conquistadas, ainda não sei o caminho, mas estou no meio dele, sei que podemos encontrar. Existe sim, o Estevão é um grande amigo e se mostrou uma pessoa muito íntegra, fazia tempo que não encontrava uma pessoa que tinha tantos préstimos como ele. Inclusive tivemos várias reuniões, não foi nem uma, nem duas, foram várias, acertamos nossos ponteiros, vamos estar juntos nessa campanha e como disse para ele, acredito que é uma chance única de uma cidade pequena como a nossa com menos de 40 mil pessoas de repente lançar no cenário nacional, estadual dois candidatos a deputados que tem condições de chegarem lá.
O Estevão é muito bem articulado e eu tenho o poder de mobilização de massas, já tenho feito reuniões, fiz uma reunião agora segunda-feira só para sentir, em Olímpia que é 80 km daqui numa segunda-feira tínhamos lá quase 4 mil pessoas no ginásio, inclusive o prefeito da cidade estava, as pessoas vieram da região para me ouvir. Então, acredito que se fizermos um bom trabalho temos muitas chances e é claro que para isso preciso do apoio da minha cidade. Porque todo intuito que tenho, é claro que tenho alguns pensamentos de política para o Brasil, mas antes penso na minha cidadezinha, aqui onde eu comecei e tudo que estou fazendo por aqui.
Espero a compreensão, o carinho, espero que eles sejam visionários como nós somos. Que a gente deixe de lado as questões religiosas, as questões sociais, e que o povo que é da classe A e B esqueçam que eu vim da classe D e E e o pessoal da classe D e E esqueçam que eu fui para a classe A e B que as pessoas não olhem agora para o homem e nem para o Pastor Marco Feliciano, mas olhem para um filho da cidade, que tem condições de chegar lá e que a cidade precisa de um renovo, a cidade precisa respirar um pouco mais, politicamente falando.
Quero que as pessoas em Orlândia entendam o que eu pensei comigo e com a minha família: imagina você que Orlândia tem condições pelo menos na primeira vez da história de ter um deputado estadual daqui que pode nos representar aqui no estado e tem um federal nascido aqui que pode nos representar em Brasília. Imagina a união dos dois, o que podemos trazer para a cidade.
O sonho da faculdade que sempre víamos falando por aí, o sonho de crescimento de indústrias, empresas, coisas que a gente pode trabalhar. É claro que todo mundo entende política, hoje todos sabemos que uma andorinha sozinha não faz verão. Mas pense em um homem valente e pelo que vi do Estevão ele é valente e meio, vamos ser duas águias e brigar, vamos lutar pela cidade, tenho certeza que pela primeira vez na história.
Orlândia pode ter uma força política jamais vista, uma força política de dar inveja aos políticos de Ribeirão Preto, já começaram a se movimentar, começaram inclusive a pensar alto, procurando saber quem sou eu, pois o Estevão já é conhecido e vai ser uma briga muito boa. Então, que a cidade, a população parasse por um momento e pensasse de uma maneira unânime. É a primeira vez que um filho da cidade, ou melhor, dois filhos da cidade podem fazer alguma coisa importante.
Vamos tentar atingir todo mundo, por isso agregamos valores ao lado do Estevão. O Estevão tem um público que eu não conheço e eu tenho um público que ele não conhece, somando os dois a gente une o útil ao agradável e com isso vamos chegar lá. É claro que eu vou contar muito com a força do meu povo, pois nós os evangélicos somos segmentados e nós temos uma visão, temos uma liderança, quando eu abro a minha boca e falo uma coisa sobre a verdade e o povo concorda comigo eu tenho atenção deles.
Então entre uma pessoa de fé, um cristão verdadeiro e uma pessoa que está lá, é candidato mais que faz apologia as drogas, que faz apologia ao aborto, que faz apologia a homofobia, coisas assim, é claro que o nosso povo vai ficar sempre com aquele que é Cristão.
Olhando pelo lado do meio Evangélico, na última campanha eleitoral com aquele escândalo que teve do processo do Sanguessuga das ambulâncias, a bancada federal evangélica perdeu a metade da sua voz lá dentro do Congresso, tínhamos mais de 60 deputados, com esses 60 deputados, com 550 deputados no total lá nós conseguimos mais de 10% deles, então qualquer lei que venha ferir a família, que venha ferir a igreja, que venha ferir a sociedade, levantavam esses 60 homens, independente que partido fossem e brigavam por uma ética, por uma visão e por aquilo que para nós é moral.
De repente com aquele escândalo que teve perdemos a metade da bancada, com a metade hoje não conseguimos fazer mais nada. Por exemplo, não sei se vocês sabiam, há uma lei tramitando só falta ser aprovada pelo nosso presidente, onde a prostituição, ou a mulher prostituta ela vai ter uma carteira de trabalho assinada. Imagina você que é um pai, ter sua filha, sua filha como prostituta mais com uma função reconhecida pelo país. Como é que a gente fica? Não estou falando de preconceito, estou falando de ética, estou falando de família. Então tem leis que precisam ser barradas pois tem muita gente doida naquele Senado, tem muita gente doida dentro da Câmara Federal, tem muita gente doida que tem o poder mas não sabe fazer a política como deve ser feita.
Então tem que ter pessoas coerentes. Queria que as pessoas que estão lendo essa matéria soubessem que foi isso que queimou no meu coração, de repente eu sou uma voz profética nesse país. Orlândia ainda não sabe quem é o Pastor Marco Feliciano, quem sabe agora começam a descobrir um pouco. Inclusive o Estevão quando esteve na minha casa, a Bernadete está aqui do meu lado, ela é vereadora, ela viu quando eu abri a Internet que mostra o mundo como é, ele ficou apaixonado.
Ele falou, mais você é tudo isso aqui? Pois é, eu sou um cara que nesses orkuts da vida tem 200 comunidades feitas para mim. Uma tem 90 mil pessoas, então, só em orkut deve ter umas 400 mil pessoas que passam falando de mim. Orlândia não tem noção do que é isso, porque só em orkut é 10 vezes a po-pulação da nossa cidade. Os meus dvd’s esparramados pelo país inteiro, um dos meus dvd’s agora chegou a 1 milhão de cópias, que é o Sonho de José, então esse poder de persuasão, sendo um homem de família, sendo uma pessoa que veio do nada e chegar onde cheguei, acredito que possa fazer muito mais pela cidade, que a cidade jamais sonhou em fazer por mim.
É um prazer estar recebendo vocês todos aqui no meu escritório, o pessoal da Gazeta, da Lidersom, da ORC. Agora de fato é verdade. Resolvi assumir minha postura, já é a terceira campanha onde fui procurado, onde nas duas outras passadas achei que não estava preparado para isso e também não queimava no meu coração essa vontade de estar na política.
De repente queimou o coração, a oportunidade veio e agora é definitivo, estou filiado ao PSC – Partido Social Cristão e fui procurado por todos os partidos inclusive, semana passada fiquei com o Orestes Quércia até as 22h30 no telefone eles queriam minha filiação no PMDB, mas pensei e achei por bem, um partido que tem tudo haver comigo, inclusive na nomenclatura Cristão, e agora o Pastor Marco Feliciano é candidato a candidato.
Fonte: Gazeta Popular /Movimento Gospel

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

OMG Entrevista: Ditadura Gay - O movimento homossexual

Entrevista com Julio Severo



CRISTIANISMO HOJE – Que tipo de ameaças o senhor recebeu por conta de sua militância contra a homossexualidade e que o obrigaram a deixar o país?
JULIO SEVERO – Precisei sair do país depois que procuradores federais, numa atitude abusiva, intimaram um amigo meu a revelar minha localização. A alegação deles é que havia uma queixa de homofobia registrada contra mim em 2006 [N.da Redação: Procedimento Administrativo Cível nº 1.34.001.006020/2006-44, aberto a pedido da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Travestis e Transexuais, a ABGLT ]. Sou alvo de outros tipos de ataques. Ameaças, xingamentos. Em julho de 2007, meu blog foi fechado pelo Google depois de uma longa campanha de denúncias de ativistas homossexuais. Graças à intervenção de advogados evangélicos e de um procurador, o Google liberou meu blog, entendendo que meu direito de livre expressão estava sendo violado. Tempos atrás, interceptei uma mensagem do líder máximo do movimento homossexual brasileiro, Luiz Mott, direcionada a outros dirigentes gays, onde havia o pedido para que se levantasse a meu respeito informações pessoais, como nome completo, endereço, fotos, histórico etc. Regularmente, aparecem páginas na web com conteúdo de pornografia homossexual contendo meu nome, como se eu estivesse ligado a tais obscenidades. Um conhecido site esquerdista chegou a publicar uma entrevista forjada, onde um falso “Julio Severo” se confessa um homossexual promíscuo.

Quando o senhor saiu do Brasil?
Saí no fim de março deste ano.
Onde o senhor está atualmente?
Não posso revelar o lugar por motivo de segurança para mim e minha família.
Qual tem sido sua atividade e o que o senhor está fazendo para se manter?
Minha atividade aqui é exatamente a mesma que desenvolvia no Brasil: alertar, informar e conscientizar a sociedade através do meu blog. Não vou abandonar minhas responsabilidades para com o Brasil. Meu sustento atual está vindo da colaboração voluntária dos leitores e admiradores do meu trabalho.
Com base em qual instrumento legal o senhor tem sido denunciado?
Na base da pura truculência estatal. A Visão Nacional para a Consciência Cristã (Vinacc) teve seu direito de livre expressão totalmente violado numa campanha de defesa da família, pois sob pressão de ativistas gays e do governo federal, uma juíza acolheu uma queixa de homofobia contra a entidade. A Vinacc foi obrigada a remover seus outdoors, com mensagens como “Homossexualismo: E Deus os criou homem e mulher e viu que isso era bom”. Essa simples declaração foi considerada criminosa e homofóbica.
E como está a ação movida pela ABGLT?
Não sei. Pelo tempo que já passou, considero essa ameaça sem efeito. Foi o que fiz também em 2006, quando recebi um e-mail da Associação da Parada do Orgulho Gay de São Paulo, dizendo que estavam entrando com queixa contra mim no Ministério Público Federal [MPF]. Não dei atenção, pois recebo muitas ameaças. Em maio de 2008, Luiz Mott declarou publicamente que entraria com queixas contra mim no MPF e outros órgãos. Depois da nossa saída do Brasil, sei que o MPF do Rio Grande do Sul pediu o arquivamento do caso, o que será decidido pela Procuradoria Federal paulista, de onde a ação é originária.
Por que o senhor começou sua militância nesta área? Já teve algum envolvimento homossexual?
Eu nunca fui homossexual. No começo de 1995, senti claramente Deus me dirigindo a escrever um livro sobre a ameaça do movimento homossexual. Durante algumas semanas, hesitei, pois o tema era um tabu enorme. Não havia paradas gays, nem a obsessão homossexual que vemos hoje na mídia, nas escolas e em outros segmentos. Depois de algum tempo, venci meus temores e aceitei o chamado do Espírito Santo, começando a pesquisar sobre o movimento homossexual. Quando, em meados de 1995, ocorreu no Brasil a primeira conferência internacional da ILGA [International Lesbian and Gay Association] no Hemisfério Sul, entendi a intenção divina de me chamar para o combate, pois depois daquele evento os grupos gays brasileiros ganharam um impulso extraordinário. Foi assim que nasceu meu livro O movimento homossexual.
Muitos de seus detratores o chamam de radical. O senhor se considera um fundamentalista?
Sou apenas um servo de Deus, radicalmente apaixonado por Jesus. Muitas igrejas do Brasil, tanto evangélicas quanto católicas, estão comprometidas com a esquerda, e é natural que queiram tachar de radical quem ouse pensar diferente da ideologia predominante na sociedade e nas igrejas. Quanto às designações, no final vai valer somente o que Deus disser. Por isso, minha meta é agradar a Deus.
Embora desagrade à Igreja, a regulamentação da união civil entre homossexuais ganha força em todo o país, já que os tribunais têm não apenas reconhecido os direitos decorrentes das uniões homoafetivas, como também concedido aos parceiros gays o direito à adoção de filhos na condição de “dois pais” ou “duas mães”.
Em um Estado democrático de Direito, o segmento religioso tem legitimidade para interferir na vida em sociedade?
Em um legítimo Estado democrático de Direito, a família natural e seus interesses são respeitados e protegidos acima de todo e qualquer interesse de outros grupos. O que a falsa democracia brasileira quer impor é a descaracterização da família e sua importância, colocando como prioridade um comportamento sexual antinatural que nenhuma função tem para a preservação da espécie humana ou para a estabilidade da família. Do ponto de vista natural, a homossexualidade é uma das maiores aberrações e ameaças à família natural. Ora, a sociedade é dividida em diferentes segmentos ideológicos. Há o segmento que tem ideologias religiosas e o segmento que tem a ideologia homossexual. Se a maioria religiosa não tem o direito de impor sobre a sociedade seus valores, que direito tem então a minoria homossexual de fazê-lo? Do ponto de vista da democracia tradicional, é ditatorial submeter a vontade da maioria à de uma minoria. Só uma democracia deturpada permitiria tal medida.
O aborto é outro tema importante na atual agenda política brasileira. Setores do governo, do Poder Legislativo e da sociedade defendem a ampliação de sua legalidade, hoje restrita aos casos em que a gravidez ameaça a vida da mãe ou é originada de estupro. O que o senhor pensa a respeito?
Acho o aborto um problema muitíssimo importante, pois envolve o sacrifício de inocentes. A legalização do aborto faz parte de um projeto das trevas para expandir a atividade demoníaca na sociedade, com suas consequentes devastações. As igrejas evangélicas, de forma geral, estão em cima do muro. Igrejas como a Universal, que apoiam o aborto, se descaracterizam completamente como entidades cristãs. Uma cultura que desvaloriza crianças – e temos de reconhecer que a atual cultura é fundamentalmente contraceptiva – fatalmente valoriza o aborto. Ao invés de confrontar essa cultura, tudo o que as igrejas têm conseguido fazer é se adaptar. É uma apostasia que começou na área sexual, afetou o casamento e a família e agora atinge em cheio os púlpitos, tornando as igrejas cristãs e suas mensagens quase que socialmente insignificantes.
Falta conscientização política e social aos pastores brasileiros?
Muitos pastores desconhecem os embates culturais e preferem não se envolver na política, por causa da corrupção presente até mesmo entre políticos evangélicos. A esquerda evangélica hoje detém quase que exclusivamente o monopólio da tal “conscientização política e social”. Daí, quando se fala em ação política ou social evangélica, a primeira imagem que vem à mente do público cristão é a imagem de igrejas e grupos religiosos atuando como se fossem meros braços assistencialistas do Estado socialista. Essa visão deformada é praticamente a única que os evangélicos do Brasil têm de “ação social”. Falta uma visão genuína de Reino de Deus para a atuação dos evangélicos na política brasileira.
O combate ao sexo pré-conjugal é uma de suas bandeiras, assim como da maioria das igrejas evangélicas. Como convencer o jovem cristão a manter a castidade num mundo que enfatiza o prazer e o descompromisso das relações?
O tipo de castidade que as igrejas evangélicas hoje defendem é impossível, pois requer dos jovens abstinência sexual, mas não propõem casamento quando seus impulsos exigem satisfação a todo custo. O adolescente evangélico vai à escola, onde recebe doutrinação estatal para fazer sexo de todas as formas possíveis; vê seus amigos namorando e fazendo sexo; o que ele acaba fazendo? Para piorar, as igrejas e as famílias dizem ao adolescente e ao jovem que reprima suas tentações e não pense em casamento até acabar os estudos. O resultado é que acontece hoje entre os jovens evangélicos exatamente o que está acontecendo entre os jovens não-cristãos: sexo promíscuo. Num tempo de suas vidas em que a prioridade de seus sentimentos está voltada ao sexo, as pressões principais sobre os jovens — vinda dos pais, dos amigos e das igrejas — colocam o casamento em último plano. Falta muita valorização do casamento e família para os jovens.
O senhor não acha mais sensato orientar os jovens a priorizar o preparo intelectual e profissional visando ao seu futuro?
A Bíblia nos instrui: é melhor casar do que abrasar-se. O jovem vive muitas vezes abrasado, pois está cercado de lascívia e prostituição. Por isso, quando o jovem não consegue mais se controlar, é fundamental não pressioná-lo a sacrificar possibilidades de casamento por causa de metas educacionais. De que adianta, do ponto de vista do Reino de Deus, um evangélico ter diploma universitário e um rastro de prostituição ao longo de sua caminhada? Ele terá grandes perdas espirituais e problemas pelo resto da vida, inclusive conjugais, pois sacrificou todos os seus valores em prol da educação. Portanto, se o jovem sente que é hora de casar, em vez de pressioná-lo ao contrário, as famílias evangélicas envolvidas deveriam apoiar e ajudar o moço e a moça a começarem sua vida juntos. Eles precisam se casar.
Não é arriscado apostar num casamento tão prematuro?
O que pude constatar em várias igrejas é que a maioria dos jovens que namoram já está fazendo sexo. Filhos de pastores estão engravidando moças fora do casamento. Filhas de pastores estão tendo bebês sem casar – isso quando não os matam através do aborto. Tudo é sacrificado: bebês, casamento, moral, espiritualidade, comunhão com Deus. Tudo – menos as idolatradas metas educacionais. O caminho certo é encaminhar rapidamente esses jovens ao casamento. Por isso, quando as famílias evangélicas sentem que o rapaz e a moça já estão num namoro, é recomendável ajudar num casamento sem demora. Aliás, o conceito de namoro é uma invenção moderna sem nenhum apoio na Bíblia. Na área sexual e em outras áreas importantes, o que deve haver é compromisso. Não quer casar? Não namore. Quer sexo? Case-se. A cultura do namoro leva menos ao casamento do que ao sexo promíscuo. Só os rapazes e moças que não estão namorando ou não tendo nenhum tipo de relacionamento abrasante é que podem prosseguir com suas metas educacionais. Os outros, para o seu próprio bem-estar físico, moral, espiritual, psicológico e conjugal, precisam se casar o mais cedo possível.
Em seu blog, o senhor fez uma relação de líderes evangélicos que apoiaram ou apoiam o governo Lula, aos quais não poupa críticas. Por quê?
É triste constatar que famosos pastores e outros líderes com forte presença política conhecem os graves problemas do Brasil, mas não assumem uma postura profética de ação e denúncia porque querem aproveitar suas ligações e alianças políticas para avançar em suas ambições pessoais, ministeriais ou denominacionais. A grande tragédia é que, assim como eles usaram Lula, Lula também os usou. Como eles conseguirão denunciar profeticamente a promoção do aborto e do homossexualismo na sociedade brasileira, sabendo que o principal responsável por tal promoção é o “ungido” que eles escolheram para a presidência do Brasil? A maioria dos líderes evangélicos deste país tem grande responsabilidade por tudo o que está acontecendo na sociedade brasileira e um dia darão contas a Deus por terem trocado a fidelidade ao Senhor por ambições e dinheiro. O apoio deles a Lula foi público, de modo que minha exposição do nome deles no meu blog nada mais faz do que tornar público o que já o é. É para que ninguém se esqueça e possa orar por eles – além de perceber que, em questões políticas, os conselhos que dão são inconfiáveis.
O senhor costuma associar o avanço da militância homossexual à ideologia esquerdista e denuncia uma suposta simpatia do governo Lula à causa da homossexualidade. Qual seria a intenção do governo em favorecer os gays?
Quem diz que apoia a agenda gay é o próprio presidente Lula, que declarou recentemente que “setores atrasados” e “hipócritas” têm criticado seu governo por apoiar iniciativas que criminalizam palavras e atos ofensivos à homossexualidade. No início de seu primeiro mandato, em 2003, a equipe diplomática de Lula apresentou na Organização das Nações Unidas e na Organização dos Estados Americanos resolução pioneira, classificando o homossexualismo como direito humano inalienável. No Brasil, há o programa federal Brasil Sem Homofobia, para impor a doutrinação homossexual à sociedade, pois conforme divulgou instituição de pesquisa ligada ao PT [partido do presidente], 99% da população do Brasil não aceita o homossexualismo. E quem é que pode esquecer que Lula declarou que a oposição ao homossexualismo é uma “doença perversa”, convertendo assim a vasta maioria dos brasileiros em “doentes”? Quando um povo não vê a doença moral do seu próprio presidente, o doente é que acabará acusando os sãos de serem doentes! O que faz Lula apoiar tanto o homossexualismo? O mesmo que fazia o rei Acabe do antigo Israel apoiar o homossexualismo inerente ao culto de Baal. Quanto ainda falta para classificarmos Lula e seu governo como possessos? Décadas atrás, quando o Brasil era muito mais católico e conservador do que hoje, Lula seria muito merecidamente enxotado aos pontapés da presidência do Brasil. Hoje, é ele quem está enxotando aos pontapés a moralidade e a honestidade do governo e da sociedade.
Qual o papel da mídia neste processo?
A doutrinação homossexual da mídia é notória e descarada. Homossexuais são falsamente retratados como anjos inocentes e os não-homossexuais como desequilibrados e desajustados. Nas novelas, os parceiros gays são os grandes exemplos de paz e harmonia, enquanto que o casamento normal é apresentado como palco de conflitos, ódio, inveja, traição etc. Quem não se lembra da novela Duas Caras, da Rede Globo, escrita pelo homossexual Aguinaldo Silva, militante de esquerda? Sua obra literalmente pintou os evangélicos como loucos e violentos, enquanto personagens homossexuais promíscuos foram retratados como símbolos de gentileza, educação e comportamento politicamente correto.
O Projeto de Lei 122/2006, que entre outros pontos criminaliza a prática da homofobia no Brasil, tem sido combatido de maneira intensa pelos evangélicos, que identificam no seu conteúdo uma ameaça à liberdade religiosa no país. Contudo, o Artigo 5º da Constituição Federal assegura ampla liberdade de crença e direitos individuais de opinião, inclusive na forma de cláusulas pétreas. Não tem havido muitos exageros nesta questão?
A perseguição aos cristãos alcançou a Alemanha e a Rússia no passado porque os cristãos não souberam reconhecer que, por trás das mentiras e da fachada, o nazismo e o comunismo eram ideologias destrutivas. É sempre assim: o sistema de perseguição entra na sociedade em roupagem elegante, como eram elegantes o nazismo e o comunismo. Depois da lua-de-mel, vem o poço do abismo. O PL 122 é um projeto que mal consegue disfarçar suas más intenções. Quando meu livro foi publicado, muitos o acharam exagerado e disseram que suas previsões nunca ocorreriam. Infelizmente, acabaram ocorrendo. E quem leu hoje me chama de profeta.
Autor: Carlos Fernandes

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

OMG Entrevista: “Nem os pastores põem mais fé na EBD”

O teólogo e médico Angelo Gagliardi Júnior, 53 anos, escreveu o livro Você acredita em Escola Dominical? no fim dos anos 1990, no qual debatia a crise desse modelo de ensino. Em entrevista à CRISTIANISMO HOJE, ele mostra que o tema continua atual.

CRISTIANISMO HOJE: Que tipo de experiências o motivaram a escrever o livro “Você acredita em Escola Dominical?”

Amor desde a infância pelo estudo da Bíblia e inconformismo pela forma com que as nossas Escolas Dominicais vinham desempenhando o seu ministério em nossas Igrejas desde sempre , o tipo de “formação” , o tipo de “crente” que ela vinha “preparando” , frágeis , imaturos,inexperientes, desmotivados.

A visível prática em nossas Escolas Dominicais da Anti-Reforma Protestante , afastando a Bíblia das mãos do povo , desestimulando o seu estudo , meditação e prática. A ênfase prioritária às metodologias eclesiásticas já caducas, o aferrar-se às revistas ralas da denominação para “manter” o controle doutrinário.

O abandono completo de um sério investimento em material para pesquisa , formação , e instrução do corpo docente , bem como de uma escolha responsável e criteriosa do mesmo .



Um dos grandes questionamentos da nossa matéria também é o formato convencional da EBD que muitas igrejas se recusam em adotar, você acha que isso é motivo para que não tenham esse ministério?

Nunca enfatizei o formato, nem o apego a uma exclusiva metodologia , ou sequer a um único material didático acessório ou complementar. A Escola está posta como ministério na Igreja para promover o conhecimento de Deus, revelado em Cristo Jesus , a instrução , a formação , a maturação do povo de Deus através do ensino , da meditação , do compartilhar da Palavra de Deus , em pequenos grupos homogêneos ( separados por maturidade cristã ou interesses comuns), com a possibilidade da troca de informações e experiências , num ensino ordenado, progressivo , didático e conduzido pelo E.Santo , através de vidas piedosas e comprometidas com o ministério do ensino . Gente sendo salva e entendendo que seus propósitos de vida com Deus incluem adorá-Lo , reunirem-se em família cristã , desenvolverem algum (ou alguns) ministério(s) na comunidade , crescerem e amadurecerem sadiamente , e evangelizarem a outros .



Quais as principais mudanças da EBD de 30 anos atrás para a de hoje?

Vejo apenas esforços aqui e ali no sentido de tentar vencer as enormes dificuldades estruturais e de logística que as EBD enfrentam, mas sem muito resultados positivos . Basicamente os problemas são os mesmos com o agravante de que, 30 anos depois, o Evangelho é apresentado hoje numa visão mais utilitária , superficial , hedonista , sem ênfase ao necessário conhecimento da Palavra , ao arrependimento , à mudança de vida e ao compromisso com o Senhor .



Aponte os principais pontos que evoluíram e os que regrediram na EBD?

A Escola Dominical é uma escola , e como tal tem que ser pensada , e trabalhada . Até as mudanças , quando realizadas, não podem ser mumificadas , cristalizadas , dogmatizadas. Creio que evoluiu o fato de hoje haver bem mais igrejas , comunidades , denominações , questionando-se , e pensando em buscar soluções e alternativas . Isto era impensável há 30 anos atrás , matava-se o povo de fome com absoluta frieza e dureza , em nome da tradição denominacional. O que regrediu, foi o cada vez maior desapego ao ensino e manuseio da Bíblia , ela mesma , como material central de estudo da Escola.

Até aquelas igrejas que fizeram mudanças na EBD , equivocaram-se ao substituírem o estudo das Escrituras por livros , apostilas , testemunhos , etc… É contudo a Bíblia a Palavra de Deus , o alimento , a espada , o mel , o fel , a lâmpada … Ela é insubstituível como instrumento de Revelação de Deus .



Quais são os maiores benefícios que esse ministério proporciona à Igreja?

A Educação Religiosa faz-se prioritariamente ( ainda que não exclusivamente) na Igreja por meio da EBD. Púlpito , células , sociedades internas , reuniões de oração , retiros , congressos , seminários , são parte deste processo educacional , mas nada disto substitui a EBD . Ela evangeliza , instrui , gera crescimento e amadurecimento , estimula, desafia , corrige , exorta , integra etc.. A EBD não é uma das sociedades internas da Igreja , e por isto não pode competir com estas , por tempo,pessoal,recursos etc… A EBD é a Igreja sendo instruída , trabalhada , amadurecida , preparada , para servir às sociedades internas . Ela só pode ser tratada como prioridade na Igreja. Uma EBD forte , eficiente , Bíblica , inevitavelmente proporciona uma comunidade sadia, viva , quente , madura , evangelística , missionária , integrada. Muitos pensam que boas e ativas sociedades internas ou até mesmo um fervilhante , útil e necessário projeto de células na Igreja podem tornar irrelevante ou dispensável o ministério da EBD . Isto é um sofisma , um “canto de sereia” podendo conduzir igrejas ao naufrágio da raleza , desnutrição e do ativismo. Há sim características semelhantes entre estes ministérios como trabalhar em pequenos grupos , a oportunidade de testemunhos e participações individuais , bem como acompanhamento e “pastoreio” de indivíduos,aliviando a centralização desta missão e responsabilidade de estar exclusivamente sobre o pastor da comunidade. Por que não investimos também tempo na escolha e preparação de líderes para professores da EBD ? Por que não podemos deixar os alunos da EBD sob o pastoreio dos seus professores e secretários das classes da EBD ( assemelhando-se ao que Filipe e Barnabé faziam no relato de Atos dos Apóstolos) ? Por que não possuir uma estrutura ou um projeto de EBD com classes semanais substituindo ou complementando a EBD dos domingos ? São alternativas que podem complementar os ministérios desenvolvidos pelas sociedades internas e pelas células. Só a EBD pode trabalhar com grupos mais homogêneos , e ela mesmo homogeneizar ( com os mesmos conhecimentos básicos ) toda a comunidade .



Quando o senhor fala no livro a respeito de credibilidade, questiona a respeito da nomenclatura do ministério. Muitas igrejas têm usado essa estratégia, mas são criticadas, pois além da mudança do nome, também fazem mudanças na estrutura, o que o senhor pensa sobre isso?

Não se trata de mudar apenas porque é preciso mudar . Não basta simplesmente mudar o nome, ou o material didático , ou a grade de horários e temática ! Talvez frequentemente vá ter que passar por aí também , mas a questão é muitissimo mais profunda , é uma questão de visão , de importância , de prioridades , de filosofia . Sem que estas coisas mudem primeiro , nada dará resultado. São vinhos novos (às vezes) em odres velhos ! São conceitos e princípios intimamente , celularmente entranhados ! Ninguém mais põe fé na EBD , nem os pastores ! O tempo decorrido , as experiências inúmeras fracassadas , as estruturas paleontológicas mumificadas , as tentativas transformadoras que também não foram aperfeiçoadas ou revisadas , os parcos e ultrapassados recursos didáticos e pedagógicos disponibilizados , os modismos , as enormes necessidades administrativas X tempo escasso dos pastores , a Biblicamente profetizada frieza espiritual , a escassez de líderes , o ativismo na Igreja , os inúmeros compromissos de trabalho secular que envolvem hoje as famílias, os variados teleevangelistas , lutam em favor do esvaziamento da EBD. Há projetos novos , alternativos , bem formatados , prontos para consumo , contando com bons argumentos Bíblicos,que,como já disse anteriormente,parecem substituir a contento ( até com vantagens na visão de alguns) a EBD .



Como é possível resgatar no coração dos cristãos a importância/utilidade da EBD?

Só com a participação verdadeira e comprometida dos líderes e pastores das comunidades. O púlpito exalta o pregador . As sociedades internas e as células são, administrativamente falando, mais fáceis de serem operadas , municiadas , gerenciadas e aliviam grande parte do descomunal peso transferido equivocadamente para as costas do pastor . Contam ainda,como já disse anteriormente , com fortes argumentos Bíblicos a seu favor e estrutura e material já prontos . Mas quem proverá o ensino da Palavra de forma cuidadosa , metódica , ordenada , progressiva (do leite progredindo ao sólido) , clara e inteligível , administrada adequadamente ( a cada um segundo a sua necessidade e/ ou interesse) , para grupos homogêneos ( não por endereço ou por apreço a determinado líder) , planejada e revisada segundo as necessidades contemporâneas de cada comunidade ? SÓ UMA BOA ESCOLA DOMINICAL! Todos os avivamentos apresentados em especial no V.T. , possuem, como instrumento de Deus ,a Sua Palavra . Esta ,anunciada, pregada , ensinada , desde que ouvida e entendida , acompanhada sempre pela presença e pelo sopro do E. Santo . É só investir um tempinho de meditação nos textos muito conhecidos de : II Rs 22 e 23 ; Ne 8 a 10 ; Ez 37: 1 – 15 . Quem quer experimentar Avivamento? Só através do ouvir da Palavra anunciada com a unção do E. Santo.

O senhor acredita que um dos maiores problemas da EBD atual é a falta de competência dos ministros? A geração Y (da Internet) não se contenta com formatos tradicionais e pessoas despreparadas?

A Wikipédia nos socorre : A Geração Y é um conceito em Sociologia que se refere, segundo alguns autores, aos nascidos após 1980 e, segundo outros, de meados da década de 1970 em diante.



Esta geração desenvolveu-se numa época de grandes avanços tecnológicos e prosperidade econômica. Os seus pais, não querendo repetir o abandono das gerações anteriores, encheram-nos de presentes, atenções e atividades, fomentando a sua auto-estima. Cresceram vivendo em ação, estimulados por atividades, fazendo tarefas múltiplas. Lidando com Power point e Netbooks . Acostumados a sempre conseguirem o que querem. Eles tem se tornado o público-alvo do consumo de novos serviços e na difusão de novas tecnologias,público exigente e ávido por inovações.

Claro está que uma Escola pedagogicamente atrasada , deficiente em instalações e conforto , recursos didáticos paupérrimos( lousa,giz ou Pilot ) ,ministrando sobre um livro que já foi escrito há mais de 2000 anos, só pode obter sucesso se seus ministradores forem gente de Deus , comprometidos , piedosos , ungidos e bem preparados , falando aos corações e mentes com clareza , propriedade,adequação e utilidade , sob a graça e o poder de Deus. Quando há graça,unção e poder ,até mesmo a falta de recursos didáticos torna-se imperceptível. Assim creio que falta de unção agrava muitíssimo a falta de competência pedagógica .

Onde estão estes ministradores ungidos e preparados ? Aí estão as grandes chances de encontramos uma EBD relevante . Agora organizemo-la e vamos supri-la com o que de mais moderno e atual podemos contar em termos de recursos didáticos , em ambiente agradável e tão confortável quanto a comunidade possa prover e a temática ministrada mereça .



Por que há falta de dedicação por parte da igreja e de seus líderes no investimento da EBD?

Por todas as enormes dificuldades envolvidas em encontrar e formar um corpo docente competente e confiável , responsável e comprometido , disponível e envolvido . Pelas dificuldades em estruturar e gerir uma EBD relevante ( logística,currículo , material didático , corpo docente e discente , etc ). Pelas muitas frentes de investimento dentro da Igreja a consumir os freqüentemente poucos recursos, limitando o aparelhamento dos espaços e a compra de material didático . Pela tradicional história de absenteísmo e ineficiência da EBD .Pelo tipo de evangelho pregado em muitas igrejas evangélicas , priorizando o púlpito e os cultos públicos , em detrimento do estudo metódico, em pequenos grupos,das Escrituras . Pela moderna alternativa , bem apresentada e preparada , do trabalho de pequenos grupos semanais , entendida por uma minoria (ao meu ver equivocadamente) como substituta da EBD . Mas sobre tudo isto ,uma enorme necessidade de Avivamento espiritual no meio do povo de Deus.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

OMG News: Imprensa deve ser laica para vigiar o poder, diz professor

A imprensa deve ser laica - independente de instituições religiosas. Disse em entrevista a Band Eugênio Bucci, professor doutor da USP (Universidade de São Paulo) e ex-presidente da Radiobrás. “Sem essa independência, ela deixa de ser capaz, como instituição, de vigiar o poder, que, às vezes, pode ter nas religiões um de seus vetores mais fortes”. Essa é a minha opinião.

A legitimidade de veículos jornalísticos com vínculos religiosos, porém, não é descartado pelo professor, desde que haja transparência. “O próprio Vaticano tem seu jornal”, diz.

Autor do livro “Sobre Ética e Imprensa”, Bucci defende a divulgação pela imprensa da denúncia do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) contra a Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd). “A radiodifusão é uma concessão pública, regida por leis e princípios constitucionais. Se algo nessa matéria está sob discussão na Justiça, o assunto interessa a todos os cidadãos.”

Leia a seguir trechos da entrevista, concedida por telefone e e-mail ao eBand:

A Globo é acusada de atacar a Record, mas, também, de não falar das concessões mantidas pela Igreja Católica. Diante dessas acusações é possível considerar a imprensa como laica?

Como instituição, a imprensa é, sim, laica. Deve ser laica, ou seja, deve guardar independência em relação às igrejas e às máquinas religiosas. Sem essa independência, ele deixa de ser capaz, como instituição, de vigiar o poder, que, às vezes, pode ter nas religiões um de seus vetores mais fortes. A presença da Igreja Católica nos meios de comunicação deve ser analisada do mesmo modo, é evidente. Muitas emissoras transmitem cultos católicos e não transmitem, de modo análogo, cerimônias de outras religiões, o que cria, é claro, um desnivelamento entre a visibilidade de todos os cultos presentes em nossa cultura.

O senhor diz que grande parte da imprensa é laica, mas, segundo reportagem do jornal “Folha de S. Paulo”, as receitas da Iurd manteriam 23 emissoras de TV, 42 emissoras de rádios próprias e 36 rádios arrendadas.

É preciso verificar se as receitas da Igreja Universal de fato financiam emissoras de rádio e TV. Se isso estiver acontecendo, constituiria uma irregularidade. É o que cabe à Justiça apurar e julgar. Não descarto a legitimidade de veículos jornalísticos vinculados a instituições religiosas. O próprio Vaticano tem seu jornal.

O importante, nesses casos, é que os vínculos sejam claros para o público, que tem o direito de saber de que forma e em que medida os postulados religiosos influenciam a orientação editorial desse veículo. Desde que isso esteja absolutamente transparente, a informação publicada nesses veículos estará dentro dos padrões de honestidade.

Mesmo assim, a imprensa, como instituição, tem primado por ser laica. Veículos com filiações religiosas ou partidárias constituem exceções à regra. Eles devem ter assegurado o seu direito de existir, é evidente, mas não podem se pretender observadores independentes em assuntos religiosos. Eles têm uma opção, um "partido" por assim dizer, e têm por dever ético deixar isso bastante claro para o público.

Um dos argumentos da defesa da Iurd e de parlamentares evangélicos é que a investigação do MP-SP e as notícias veiculadas pela imprensa são requentadas. O que o senhor acha?

Os fatos que temos até agora é que um juiz recebeu o caso e pediu a manifestação das partes, como é o procedimento legal e habitual. Não estamos aqui falando de notícias, requentadas ou não, mas de um processo judicial, cuja evolução vai esclarecer o que é acusação nova e o que já transitou em julgado. Portanto, a evolução dessa cobertura depende das próximas decisões do Poder Judiciário.


Há um ataque da Globo contra a Record ou é uma retórica defensiva?

A cobertura do Jornal Nacional (JN), na terça-feira, com aproximadamente dez minutos, foi, de fato, bastante enfática. Há margem para que alguns afirmem que o peso dedicado ao assunto tenha sido superdimensionado, mas isto - é fundamental termos claro - é uma decisão editorial que cabe ao próprio telejornal. O que não é bom que aconteça é distorção dos fatos. Do meu ponto de vista, considero um dever, não só do JN, mas de todos os veículos jornalísticos do País, informar com toda a clareza sobre as implicações desse processo judicial. A radiodifusão é uma concessão pública, regida por leis e princípios constitucionais. Se algo nessa matéria está sob discussão na Justiça, o assunto interessa a todos os cidadãos. Tanto do lado da Globo como do lado da Record, seria lamentável que interesses comerciais contaminassem o fiel relato dos fatos e os esclarecimentos devidos à sociedade.

Apesar de ilegal, os investimentos de dízimo dos fiéis em um meio de comunicação poderia ser considerado legítimo por representá-los?

Não é legítimo que recursos obtidos de doações de fiéis para igrejas sejam convertidos em investimento em empresas comerciais. O regime jurídico que se aplica às igrejas não é o mesmo que rege as empresas de radiodifusão. Por isso, qualquer transação não declarada e não oficializada entre uma esfera e outra deve ser investigada. Mas, atenção: digo isso como um ponto de princípio, que se aplica a qualquer igreja e qualquer emissora de rádio ou TV. Não posso nem devo, aqui, estabelecer qualquer prejulgamento sobre as dúvidas que agora pairam nesse processo da Rede Record. Isso será julgado pela Justiça. De toda forma, não se pode falar em legitimidade quando se verifica o deslocamento não transparente de recursos financeiros de uma igreja para uma rede ou uma emissora. Esse tipo de movimentação, se comprovada, não é legal nem é legítima.

Pode-se comparar os conflitos éticos na Radiobrás e na Record ?

Em linhas gerais, vários aspectos éticos de empresas públicas e particulares são semelhantes. Eu tenho apenas uma cautela, e já escrevi sobre isso, quando nós temos programas religiosos que difundem preconceitos contra outras religiões. Fora isso, pode haver interferência e interesses religiosos em qualquer emissora de radiodifusão. A questão passa muito mais pelo editor, orientação do programa ou por simpatias pessoais. Não é um fenômeno que se restrinja ao caso da Record de forma nenhuma.

sábado, 8 de agosto de 2009

OMG Entrevista: "Tradição" pode resistir a retirada de crucifixos de órgãos públicos

Saiu no Terra Magazine que o Ministério Público Federal entrou com uma ação para obrigar os órgãos públicos a retirarem símbolos religiosos (como crucifixos e imagens de santos) de suas dependências.


O objetivo é atender a exigência de separação entre religião e Estado, prevista no artigo 5 da Constituição.

A ação civil publica, que se aplica às repartições federais do Estado de São Paulo, foi impetrada pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão, em atendimento à reclamação de uma pessoa se sentiu ofendida pela exibição de simbolos religiosos nesses estabelecimentos.

Em caso de descumprimento, será aplicada uma multa simbólica diária no valor de R$ 1 à autoridade responsável.

Em entrevista a Terra Magazine, o procurador Jefferson Aparecido Dias, autor da ação, comenta a proibição. Ele teme que, por "força da tradição", haja resistência à retirada dos símbolos religiosos. A Constituição de 1988 prevê, desde sua criação, a laicidade do Estado.

- Agora o país está preparado para esse tipo de discussão.

Leia a entrevista:

Por que o Ministério Público Federal tomou essa medida?

O procedimento foi instaurado a partir da reclamação de um cidadão. Nós investigamos as informações e, a partir daí, nós decidimos que seria necessário instaurar uma ação civil pública.

E por que foi instiuída a multa no valor de R$ 1?

Porque um valor elevado penaliza duas vezes o cidadão. No fim das contas, como se trata de órgãos públicos, é o cidadão que acaba pagando a multa. E por isso, como é necessária uma sanção, foi uma sanção simbólica só para não honerar ainda mais o cidadão.

Caso a medida não seja cumprida, esse valor pode subir?

A lei não impede, pelo contrário: se a gente faz uma liminar e ela é descumprida, a gente pode ajuizar outra ação civil pública, e aí podem haver obrigações mais duras em relação às autoridades que estão descumprindo a lei. A lei autoriza a fazer isso. A preocupação é não onerar economicamente o cidadão, adotando as medidas necessárias.

Como avalia a retirada desses símbolos, do ponto de vista da laicidade do Estado?

É importante. Nós precisamos voltar a discutir os símbolos religiosos, acho que estamos num momento oportuno, até. Recentemente, quando o Brasil venceu a Copa das Confederações (NR: no torneio, vários jogadores comemoraram com camisetas e referências religiosas), a Fifa até adotou uma postura mais rigída em relação a isso. Então eu acho que é o momento para aproveitar e discutir, já que o futebol tem tanta ligação com o Brasil e o futebol gera debates acalorados, então vamos discutir isso no âmbito interno e (do ponto de vista) da relação com o Estado.

A Constituição prevê isso há mais de 20 anos e só agora parece estar se discutindo esse ponto. No início do ano, um tribunal do RJ ordenou o mesmo...

Na verdade, muitos dos dispositivos que a Constituição têm demandaram um tempo de maturação, digamos assim. Uma certa maturidade para ser discutida. E eu acho que esse é um deles. Acho que agora o país está preparado para esse tipo de discussão.

Há uma certa resistência em retirar esse símbolos, talvez por "tradição"?

Eu temo que, por força da tradição, ocorra alguma resistência, porque existe um vínculo muito forte com as tradições. Mas eu acho que a ordem jurídica tem de estar de plantão.

Espera alguma reação de setores religiosos, especialmente da Igreja Católica?

No caso específico da Igreja Católica eu espero que não, porque a própria Igreja tem alguns matizes que tendem ao Estado laico. Não vejo, não. Espero não ter que enfrentar nenhum tipo de resistência.

Várias autoridades do país, do presidente a governadores, citam Deus em seus discursos e falas públicos. Isso contribui para consolidação do Estado laico no Brasil?

É... é duro também, mas não vamos entrar no âmbito de cada pessoa. Cada pessoa tem sua liberdade. A dificuldade é saber até onde a pessoa fala por si ou como autoridade. Eu acho que é essa a cautela que os cargos públicos precisam ter. Eu e meus colegas, que somos procuradores da República, também professamos nossa fé, mas o grande desafio é esse: professar sua fé na intimidade, mas não transferir isso para o Estado.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

OMG Entrevista: José Alencar diz que fé em Deus lhe dá forças para enfrentar o câncer

O vice-presidente da República, José Alencar, embarcou para os Estados Unidos nesta terça-feira (4) onde, pela primeira vez, será avaliado com mais profundidade o tratamento experimental que ele começou há dois meses em Houston, contra um câncer no abdomen. Já são 12 anos de luta contra vários tipos de câncer e 15 cirurgias.

As imagens de mais uma saída do hospital são de um homem obstinado, que não se entrega na luta contra o câncer. José Alencar se recuperou de mais uma cirurgia. Recebeu um beijo da mulher e lá foi ele para uma nova etapa.

O Jornal Nacional fez uma entrevista exclusiva com o vice-presidente. Veja os principais trechos abaixo.

Presidente, agora o senhor vai saber, de forma mais precisa, se o tratamento está ou não dando resultado. Essa é uma viagem decisiva para o senhor?

Todo passo que você dá, quando está numa luta, quando está numa peleja, obviamente que são passos decisivos. É claro que nos estamos esperançosos, confiantes, porém conscientes da gravidade do meu caso, porque o tumor é recorrente. Ele tem essa característica e já deu provas disso.

No que o senhor se agarra, para ter tanta força?

Provavelmente, seja a fé em Deus. Porque é aquela história: seja feita a vontade de Deus em qualquer circunstância. Em qualquer lugar, em qualquer tempo, seja feita a vontade de Deus. Assim você se entrega às mãos de Deus e ganha coragem. Para enfrentar, isso provavelmente seja a principal razão.

Mas nós estamos lutando bravamente porque temos recebido também um apoio que nós nem sabemos como agradecer. Uma corrente nacional, que é feita a meu favor nesse caso do câncer. É uma coisa que confesso a você que eu não sei se mereço isso, sinceramente.

E de onde vem esse amor todo que o senhor tem pela vida?

Modéstia às favas. Minha vida tem sido útil, e se a minha vida é útil por que eu nâo devo preza-la, preserva-la da melhor maneira que puder? E assim vou continuar fazendo, e seja tudo o que Deus quiser, porque é assim mesmo. A vida é assim.

Fonte: G1

terça-feira, 14 de julho de 2009

OMG Entrevista: Psicóloga evangélica que diz "curar" gay vai a julgamento em conselho

Conselho Federal de Psicologia decide no dia 31 se cassa licença da psicóloga evangélica, Rozângela Alves Justino (foto). Em entrevista, Rozângela diz que homossexualidade é uma "doença". Resolução veta tratar questão como doença e recrimina indicação de tratamento; se o registro for perdido, será a 1ª condenação do tipo no país.

O Conselho Federal de Psicologia julga, no fim deste mês, a cassação do registro profissional de Rozângela Alves Justino por oferecer terapia para que gays e lésbicas deixem a homossexualidade. Se perder a licença, será a primeira condenação desse tipo no Brasil.

Resolução do próprio conselho proíbe há dez anos os psicólogos de lidarem a homossexualidade como doença e recrimina a indicação de qualquer tipo de "tratamento" ou "cura".

Rozângela, que afirma ter "atendido e curado centenas" de pacientes gays em 21 anos, diz ver a homossexualidade como "doença" e que algumas pessoas têm atração pelo mesmo sexo "porque foram abusadas na infância e na adolescência e sentiram prazer nisso".

Numa consulta em que a reportagem, incógnita, se passava por paciente, Rozângela, que se diz evangélica, recomenda orientação religiosa na igreja.

"Tenho minha experiência religiosa que eu não nego. Tudo que faço fora do consultório é permeado pelo religioso. Sinto-me direcionada por Deus para ajudar as pessoas que estão homossexuais", afirma.

A cassação de Rozângela, que atende no centro do Rio, foi pedida por associações gays e endossado por 71 psicólogos de diferentes conselhos regionais.

Segundo Rozângela, que já foi condenada a censura pública no conselho regional do Rio no final de 2007, "o movimento pró-homossexualismo tem feito alianças com conselhos de psicologia e quer implantar a ditadura gay no país".

"É por isso que o conselho de psicologia, numa aliança, porque tem muito ativista gay dentro do conselho de psicologia, criou uma resolução para perseguir profissionais", afirma.

No Rio, Rozângela participa do Movimento Pela Sexualidade Sadia, conhecido como Moses, ligado a igrejas evangélicas.

A almoxarife Cláudia Machado, 34, diz que recebeu de Rozângela a apostila "Saindo da homossexualidade para a heterossexualidade", que prega meios para a mudança de orientação sexual. "Hoje vivo a minha homossexualidade tranquila, essa história de cura não existe, o que houve foi um condicionamento. Reprimi meus desejos. Não sentia prazer", diz.

Já a pedagoga Fernanda, que pede para não ter o sobrenome divulgado, diz ter sido lésbica por dez anos e que, depois da terapia que faz com Rozângela há quatro anos, passou a ter relações heterossexuais. "Realmente há possibilidade de sair da homossexualidade. É um processo longo. De lá para cá busco a feminilidade."

"A ciência já mostrou que não existe tratamento para fazer com que alguém deixe de ter desejo homossexual nem heterossexual. Quando se promete algo assim, é enganoso", diz o terapeuta sexual Ronaldo Pamplona, da Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana.

Segundo ele, a Sociedade Americana de Psiquiatria retirou a homossexualidade do diagnóstico de doenças em 1974, seguida, uma década depois, pela Organização Mundial da Saúde.

"Se absolvê-la, o Conselho Federal de Psicologia vai referendar a tese de que é possível "curar" gays", diz Toni Reis, presidente da ABGLT, a associação brasileira de homossexuais.

"Isso traz prejuízo aos gays e contribui para fortalecer o estigma", afirma Cláudio Nascimento, superintendente da Secretaria de Direitos Humanos do Rio e do grupo Arco-Íris.

"Vejo [o pedido de cassação] como uma injustiça", diz Rozângela, que, se cassada, pensa em recorrer à Justiça comum.

De um lado, cem entidades gays de todo o país vão levar um manifesto e manifestantes no dia do julgamento de cassação de registro de Rozângela, no próximo dia 31, em Brasília. Do outro, ela diz que vai reunir alguns ex-gays e psicólogos amordaçados para protestar contra a censura que diz sofrer.

"É a Inquisição para héteros", diz terapeuta

A psicóloga Rozângela Alves Justino diz que homossexualidade é uma "doença" e que "a maioria dos gays foi abusado sexualmente na infância e sentiu prazer nisso".

Como a sra. vê o homossexualismo?

É uma doença. E uma doença que estão querendo implantar em toda sociedade. Há um grupo com finalidades políticas e econômicas que quer estabelecer a liberação sexual, inclusive o abuso sexual contra criança. Esse é o movimento que me persegue e que tem feito alianças com conselhos de psicologia para implantar a ditadura gay.
O que é ditadura gay?

Há vários projetos no Congresso para cercear o direito de expressão, de pensamento e científico. Eles foram queimados na Santa Inquisição e agora querem criar a Santa Inquisição para heterossexuais.

A que a sra. atribui o comportamento gay?

À expectativa dos pais, que querem que o filho nasça menino ou menina. Projetam na criança todos os anseios. E daí começam a conduzir a sua criação como se você fosse uma menina. Outra causa mais grave é o abuso sexual na infância e na adolescência. Normalmente o autor do abuso o comete com carinho. Então a criança pode experimentar prazer e acabar se fixando.

Mas nem todos os homossexuais foram abusados na infância.

A maioria foi.

Como é o seu tratamento?

É um tratamento normal, psicoterápico. Todas as linhas psicológicas consagradas e vários teóricos declaram que a homossexualidade é um transtorno. A psicanálise a considera como uma perversão a ser tratada. À medida em que a pessoa vai se submetendo às técnicas psicoterápicas, vai compreendendo porque ficou presa àquele tipo de comportamento e vai conseguindo sair. Não há nada de tão misterioso e original na minha prática. Sou uma profissional comum.

Como paciente, repórter paga R$ 100 a sessão

Numa sala onde mal cabem dois sofás cobertos com capas meio encardidas e uma cadeira de palha, a psicóloga Rozângela Alves Justino promete "curar" gays em terapia que pode durar de dois a cinco anos.

A mulher de fala mansa e fleumática diz já ter "revertido" uns 200 pacientes da homossexualidade -que vê como doença- em 21 anos de profissão.

Sem se identificar como jornalista, a reportagem se passou por paciente e pagou por uma consulta - R$ 200, regateados sem resistência para R$ 100.

Para uma primeira sessão, ela mais fala do que ouve. Tampouco anota dados ou declarações do consulente. Explica que faz "militância política para defender o direito daquelas pessoas que querem voluntariamente deixar a homossexualidade". "É um transtorno porque traz sofrimento", diz a psicóloga, formada nos anos 1980 no Centro Universitário Celso Lisboa, no Rio.

Rozângela diz adotar a "linha existencialista" e que 50% de chance do sucesso da "cura" vem da vontade do homossexual de sair "dessa vida" e outros 50% decorrem do trabalho psicoterápico.

"É preciso entender o que está por trás da homossexualidade. E a mudança vai acontecendo naturalmente. Vamos tentar entender o que aconteceu para que você tenha desenvolvido a homossexualidade. Na medida em que você for entendendo a sua história, vai ficar mais fácil sair", diz.

Rozângela mostra plena convicção no que defende.

"Com certeza há possibilidade de saída. Nesses 20 anos já vi várias pessoas que deixaram a homossexualidade. Existe um grupo que deixou o comportamento homossexual. Existem pessoas que, além do comportamento, deixaram a atração homossexual. E outras até desenvolveram a heterossexualidade e têm filhos."

No final da consulta, a recomendação: "A igreja pode ser um espaço terapêutico também" -embora não faça pregação.

Frases

"Sinto-me direcionada por Deus para ajudar as pessoas que estão homossexuais
ROZÂNGELA ALVES JUSTINO psicóloga

"Isso contribui para fortalecer o estigma"
CLÁUDIO NASCIMENTO superintendente da Secretaria de Direitos Humanos do Rio


Fonte: Folha de São Paulo

segunda-feira, 13 de julho de 2009

OMG Entrevista : Gugu Liberato: “vim para a Record, não para a Igreja Universal”

Em entrevista a revista Veja, o apresentador e católico praticante, Gugu Liberato, falou da sua saída do SBT e sua ida para a Rede Record, que pertence a Igreja Universal do Reindo de Deus. “Eu vim para trabalhar na Record, não na Igreja Universal do Reino de Deus. Uma coisa não tem nada a ver com a outra”.

Na segunda-feira, Gugu Liberato e Silvio Santos tiveram uma reunião de mais de duas horas no SBT. O objetivo do encontro - o primeiro entre ambos desde que Gugu concretizou sua transferência para a rival Record, há duas semanas - era resolver um impasse. Como o contrato com a emissora de Silvio só expiraria em março de 2010, Gugu seguia à frente do Domingo Legal - mas o clima de mal-estar no bastidor ficou insustentável. Na reunião, os dois concluíram que a melhor saída era antecipar o rompimento e deixar de lado as multas milionárias previstas contratualmente. Agora livre de vez do SBT, Gugu tem sua estreia na Record anunciada para 9 de agosto. Nessa entrevista realizada na quarta-feira passada em seu novo camarim na Record, o apresentador fala pela primeira vez da saída do SBT, das expectativas no novo emprego - e até do segredo de seus cabelos loiros.

O senhor flertou várias vezes com a Record nos últimos anos, mas acabava sempre optando por continuar no SBT. Por que agora, enfim, resolveu mudar de emissora?

Por um conjunto de fatores. Havia, em primeiro lugar, a questão financeira. Eu já andava insatisfeito desde 2006, quando o Silvio impôs uma redução de meus ganhos pela metade (de até 4 milhões de reais mensais, os rendimentos de Gugu caíram para no máximo 2 milhões). Pelo sistema que ele instituiu, deixei de ser um funcionário contratado para ser sócio da emissora. Dividia os lucros do Domingo Legal com o SBT, mas tive de assumir responsabilidades que, a meu ver, não combinavam com a função de apresentador, como discutir os reajustes de salários da minha equipe e o planejamento de gastos da produção. Com o tempo, isso passou a me angustiar. Além disso, em determinado momento me senti desprestigiado no SBT. Há algum tempo, foi feita uma campanha de marketing que convidava os anunciantes a investir em atrações como a Hebe, A Praça É Nossa e o Programa Silvio Santos. Estranhamente, não constava dela o Domingo Legal. Naquele momento percebi que eu não importava mais para o SBT.

O senhor assinou com a Record há duas semanas, mas continuou cumprindo seu contrato com o SBT até o rompimento definitivo, na segunda-feira. Nesse período, Silvio Santos mudou seu programa para um horário ruim e seu diretor foi expulso das dependências da emissora. Foram retaliações?

Prefiro não acreditar nisso. Fiquei chocado ao ser avisado por telegrama da mudança de horário do programa. Todas as vezes que precisava mudar o horário, ele me telefonava pessoalmente para dar satisfação. Não achei justo, depois de 35 anos de trabalho, ser tratado assim. Eu sei que isso não partiu do Silvio. Nunca houve problema em nossa relação pessoal. Só que hoje o Silvio não manda sozinho no SBT. Tem outras pessoas que influem nas decisões. Talvez aí tenha havido algum atrito.

No começo da década, o senhor batia a Globo no ibope. Por que seu desempenho nunca mais foi o mesmo?

O desempenho de um programa reflete a situação da emissora em determinado período. Nos tempos em que batíamos o Faustão, o SBT também tinha outros grandes sucessos: Show do Milhão, Chiquititas. Quando a média geral da emissora é alta, todos os programas acompanham essa tendência. Quando a audiência do SBT caiu, nós sofremos com isso. É natural.

Então a culpa da queda de audiência de seu programa não foi sua, e sim do SBT?

Não só do SBT. Mas a gente sofre as conseqüências da situação da emissora. Eu costumo dizer o seguinte: dar ibope na Globo é muito fácil. Muito mesmo. Porque a média geral da Globo é imensa. Pode ver: a Globo dá 30 pontos de ibope no horário eleitoral e, se está fora do ar por problemas técnicos, ainda registra 15. Difícil é dar audiência fora da Globo. Naquele período em que estávamos com grandes números em cima do Faustão, é porque o SBT como um todo estava bem. Em televisão, você não faz milagre sozinho.

O SBT perdeu o rumo?

Eu não chegaria tão longe. O SBT é um avião muito potente. É claro que, num momento de turbulência como agora, alguém precisa segurar o manche desse avião com força. Não existe no SBT ninguém mais capaz de fazer isso do que o próprio Silvio Santos. Ele é de uma inteligência incomparável como ser humano, artista e empresário.

Silvio é um patrão difícil?

Nem um pouco. São 35 anos de convivência, posso afirmar isso com segurança. Metódico demais, talvez. Difícil, não.

Sua moral foi ao fundo do poço com o caso da falsa reportagem sobre o PCC, em 2003. Como é conviver com essa mácula do passado?

Ora, veja: eu não estava lá no momento daquela entrevista. E quem fez a reportagem jura até hoje que aquelas figuras eram realmente do PCC. Quando tive de depor, dois anos depois, eu fui à delegacia dirigindo meu carro. Os demais envolvidos foram escoltados porque estavam presos por outros delitos. Então, levanto a pergunta: como se prova se eles eram ou não do PCC? Tem de mostrar carteirinha? É impossível saber ao certo. Mas a imprensa martelou o caso durante dois meses em função da audiência que tínhamos naquela época.

Não foi bem assim. A farsa foi desmontada pela polícia - a imprensa só cumpriu seu papel de informar.

Outros repórteres do país também caíram em contos desse tipo e ninguém falou nada. O fato é que meu produtor foi incumbido de fazer uma entrevista com bandidos do PCC, apresentou a fita e eu acreditei nele. Fui crucificado por algo que não fiz.

Um dos itens que o seduziram na proposta da Record foi a possibilidade de ter um talk show. Por que todo artista de TV sonha em virar entrevistador?

Acho que tem a ver com o avanço da idade. Vou terminar meu contrato na Record com 58 anos. E fico imaginando: quando for quase sessentão, será que ainda vou dar certo em programa de auditório? Será que as novas plataformas tecnológicas - internet, telefonia celular - não vão mudar completamente esse formato? O talk show, por outro lado, nunca perderá espaço. Ver duas pessoas dialogando sobre um assunto interessante sempre vai ser atraente. Ontem, vi uma entrevista no Globo News sobre pressão alta, que é um problema que eu tenho (e mantenho sob controle). Já pensou sentar com um médico e esmiuçar um assunto assim num programa inteiro? As pessoas vão conhecer um Gugu diferente daquele Gugu que vai para o palco, que brinca e dança. Eu quero mostrar um lado que nada tem a ver com o Gugu popular. Pretendo conversar com escritores, políticos, cientistas. O (apresentador americano) David Letterman é minha grande referência. Mas talvez seja difícil fazer o que ele faz, porque não sou engraçado. Como vou começar na Record News, não terei de me preocupar com os índices de audiência. Será um laboratório.

Como devoto de Nossa Senhora, não o incomoda trabalhar na emissora que ficou marcada pelo episódio do "chute na santa"?

Eu vim para trabalhar na Record, não na Igreja Universal do Reino de Deus. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Nas negociações do meu contrato, a religião nunca esteve em pauta. Até onde fui informado, a Igreja Universal é só uma anunciante da Record.

É possível mesmo que o padre Marcelo Rossi participe de seu programa de estreia?

Não sei se vai ser na estreia, se vai ser mais tarde, enfim. Mas me foi garantido que posso convidar todos meus amigos padres - tem o padre Marcelo, o padre Robson (de Oliveira), o padre Antônio Maria. Ainda não conheço o padre Fábio de Melo, mas já fica aqui o convite para ele participar de meu talk show. Outro dia vi uma entrevista do padre para a Marília Gabriela, em que ele se mostrou extremamente inteligente. Esclareceu um monte de dúvidas que eu, como católico, sempre tive. Sinto que essa história de que não pode padre na Record é uma grande mentira.

Nunca se viu um padre cantor num programa da Record.

Não sei, não sei. Mas tenho ouvido do nosso diretor Gonçalves (o bispo Honorilton Gonçalves, chefão da emissora) que tenho toda liberdade. Tomara que isso aconteça para que, se ainda existir algum impedimento, ele caia por terra. Eu gosto de circular por todas as religiões. No antigo Sabadão Sertanejo, veiculava mensagens do Chico Xavier.

Fonte: Veja.com

terça-feira, 16 de junho de 2009

Apostolo Idekim - 30 anos de ministério

Em uma entrevista exclusiva ao Jornal Movimento gospel, pudemos conhecer um pouco mais da intimidade de um dos maiores nomes do Evangelho da Região.

MG - Qual é o seu nome?
Apóstolo Idekim Cândido de Oliveira

MG- Qual o nome do seu ministerio?
Ministério SOS VIDA

MG - Como foi sua infância?
Passei minha infância com minha família humilde no seio da igreja presbiteriana, vendia pirulito nas ruas de rio preto, engraxei sapatos na rodoviária, entreguei jornais nos bairros da cidade, "roubei" jabuticabas nas chácaras dos padres na boa vista, nadei no rio preto antes de ser represa e canal de esgoto, estudei na escola D..Pedro II, ginásio São Luiz e com 18 anos fui embora pra São Paulo tentar uma vida melhor.

MG - E a sua juventude numa época de ditadura, como foi?
Passei quatro anos de dificuldades na capital, vendia cabides na rua de porta em porta para sobreviver, não atendi as quatro chamadas do exercito para servir e numa manha de sexta-feira fui tirar um atestado de antecedente criminal no DEIC, aí o Brasil já estava nas mãos do militarismo (regime de ditadura militar) fui preso pela P.E (policia do exercito) e considerado insubmisso, refratário e rebelde contra o país e o exercito brasileiro.
Fui quebrar pedras no rio Tietê para ter o direito a comer uma gororoba daquelas.
O que ví e presenciei nos dias da ditadura militar nem é digno de recordar e falar.

MG - Quando o Sr. soube que havia um chamado de Deus na sua vida?
Senti que era um escolhido de Deus desde criança na igreja, ja me sentia um pregador, admirava e respeitava os reverendos.

MG - lembra da sua primeira pregação, onde foi e quantas pessoas haviam no local?
Minha primeira pregação foi em Fernandópolis ainda bem criança, peguei meu novo testamento e no quintal de casa fiz o sermão às buchas verdes e pés de mamonas.(risos)

MG - Sabemos que Deus é o mais importante de nossas vidas, mas o que foi fator fundamental para que o senhor chegasse onde chegou?
Não que já tenha alcançado, mas como, o apóstolo Paulo, prossigo em alcançar, e o que mais me impulsiona a arrebatar almas das trevas para o império da luz, é o mesmo amor com que fui alcançado.

MG - O que o senhor acha do que esta sendo pregado hoje em igrejas (não generalizando)?
Não vou dizer o que está sendo pregado em igrejas (não nas igrejas), mas, o que não estão pregando; salvação e santificação para entrar no reino dos céus. Mas o juízo vem aí para virar as mesas dos comerciantes da fé.

MG - já sofreu alguma ameaça de morte?
Já e muitas. Durante quase 31 anos de ministério tentaram me matar nas estradas, em assalto, ameaças de pais de santo, pessoas armadas na igreja na hora do apelo, arma na cabeça em plena luz do dia e até alugaram um pistoleiro para me matar em Cardoso/SP quando pastoreava a igreja e defendia uma ovelha do rebanho, o pistoleiro foi preso, passei a noite em oração por ele e no outro dia fui vê-lo na cadeia.
Não fiz queixa de tentativa de homicídio, mais pedi pra vê-lo pessoalmente, foi quando abracei ele junto a grade da cela e o demônio foi embora, ele me pediu perdão, eu o evangelizei e o abençoei.
Daí ele foi embora para o Iraque, país determinado para a fuga, deixou sua arma com a policia e partiu com um novo testamento na mão convertido ao senhor Jesus cristo.

MG - qual o rumo que as igrejas estão tomando, acha perigoso?
O rumo mais perigoso que uma igreja pode tomar é perder o rumo da mensagem da salvação e optar pelas inovações carnais e materialistas.
Já tem igrejas boates com pista de dança, igreja com a síndrome de Israel (fabulas judaicas), doutrinas de demônios como amuletagens, aspersão de sangue (do cordeiro), jejum pago, etc, etc..... Dá até náusea de continuar descrevendo as nojeiras praticadas usando o nome de Jesus. Muitos, seguindo as astutas sugestões daquele que dividiu a primeira congregação de anjos no céu, e aqui na terra continuam dividindo igrejas, adeptos de satanás, varre membros de igrejas e saem criando suas denominações que deveriam chamá-las de congregação de satanás, e se ungem pastores, bispos, apóstolos, etc, etc... Eles estão ajudando o diabo fazer a obra.

MG - me fale dos jovens das nossas igrejas?
Em vista do sistema mundano tao atrativo e perfumado pelas trevas, a liberdade do sexo ilícito, o prazer da carne temperado com o pecado. Creio que os jovens que optarem pela igreja e a servirem ao senhor, são dignos de serem chamados de "os heróis da fé", parabens para eles.

MG - Quais os projetos para TV?
Usar o máximo possível os meios de comunicação criados por Deus para o bem do seu reino aqui na terra. Quanto mais preenchermos os espaços na mídia, menos oportunidade o diabo terá.
Aproveito para parabenizar a iniciativa do irmão Jr Parise, em criar o jornal movimento gospel, uma benção para os leitores!

MG - Deixe uma mensagem espontânea para os nosso leitores e nossos pastores.
Que juntos, nós os pregadores do verdadeiro evangelho possamos chegar ao ponto de dizer ao mundo; "eu não tenho mensagem; eu sou a mensagem»

quarta-feira, 10 de junho de 2009

OMG Entrevista: Cantor Regis Danese fala sobre pactos malignos e mensagem subliminar na canção "Faz um Milagre em Mim"

Regis, você tem conhecimento de vídeos e mensagens que afirmam que a canção "Faz um milagre em mim" traz uma mensagem subliminar satânica e que você teria feito pactos espirituais?

É claro que tenho conhecimento, acho isto uma maldade

Como você reage diante desses comentários? O que você pensa sobre isso?

Ou é um satanista que inventou isto ou alguém frustrado que tem vontade de ser famoso e não conseguiu. Eu fiz um pacto com Jesus Cristo quando entreguei minha vida para Ele, e selei este pacto quando me batizei.

Uma música que está curando, salvando e trazendo libertação não pode servir de maldição porque a palavra de Deus é bem clara, uma fonte não pode jorrar água doce e salgada. Não tem como servir a dois senhores, ou você agrada a Deus ou agrada ao diabo.
Estou tranqüilo porque quando falam mal de mim não estão falando mal de mim, mas sim do meu Deus que me chamou, ungiu e me escolheu. Tudo que está acontecendo na minha vida é um sonho, um projeto de Deus!

Você acha que esses comentários podem atrapalhar o propósito de Deus para a canção?

Não. Está dando mais ibope. Enquanto isso, as emissoras seculares estão tocando muito, programas seculares, e a Palavra de Deus está sendo pregada para quem realmente precisa ouvir e não crentes hipócritas, fariseus, nada pode impedir o agir de Deus em nossas vidas!

Em muitas igrejas, a canção não pode ser ministrada e os membros não podem nem mesmo ouvi-la. Gostaria que você comentasse o sucesso da canção e a reação das pessoas diante dele, e deixasse uma mensagem para o público sobre "Faz um milagre em mim" e seu ministério.

Você que tem o Espírito Santo, ore e peça para Deus te mostrar se eu sou ou não um homem de Deus, se esta canção é de Deus ou não, tenho certeza que Deus vai te mostrar em nome de Jesus!

Eu, minha esposa, o Joselito, que é o compositor, nós oramos, jejuamos e pedimos para o Senhor operar milagres, curar, salvar e libertar.
O diabo está furioso porque tem muita gente curada de câncer, paralítico andando, surdo ouvindo, muita gente voltando para Jesus.
Outras entregando a vida para Jesus. O diabo está furioso.
Faça você mesmo uma pesquisa na sua igreja de quantas pessoas foram abençoadas com esta canção. Reflita e deixe Deus falar contigo.
Qualquer informação ao meu respeito, procure a igreja Assembléia de Deus de Uberlândia (MG).
Meu pastor é Álvaro Sanches. Eu tenho igreja, tenho pastor, sou servo de Deus!
Deus abençoe a todos em nome de Jesus!!

Abração, Regis Danese

Fonte: Site Guia-me
Nota: O blog o movimento gospel solidariza-se com o cantor Regis Danese e declara não faz sentido colocar o endereço do youtube onde está colocado um slide muito mal feito com uma tradução inteligível.

OMG Entrevista: A entrevista foi produzida pelo jornalista Paulo Hebmüller

Paulo Hebmüller – Estamos vivendo uma guerra religiosa ou guerra santa no Brasil?

Vagner Gonçalves da Silva – Obviamente está havendo uma disputa entre dois campos de uma forma mais acirrada, mas temos que colocar isso num contexto histórico. Na formação da sociedade brasileira, o catolicismo dominante foi uma religião imposta para outras. Ou seja, sempre houve uma disputa de religiosidades no campo religioso brasileiro.
O que é característico, porém, é que as religiões dialogam, mesmo sob o contexto da disputa. A maneira como se dá essa imposição não é numa direção única: o catolicismo típico brasileiro absorveu fortes influências das culturas e religiões indígenas e africanas. Houve sim uma dominação, mas ela também se faz sob a troca de elementos de um sistema para o outro. A partir dos anos 1970 e 1980, há um processo um pouco mais acirrado, porque está ocorrendo uma desqualificação sistemática de um segmento cristão, o neopentecostal, contra um outro, que é afro-brasileiro, e esses campos estão na cena religiosa como verdadeiramente antagônicos.

Cada lado, porém, vendo a situação de uma forma diferente, não é?

Exato. Numa guerra, os dois lados brigam. Mas os afro-brasileiros não estão necessariamente guerreando contra um sistema. Estão apenas reagindo ao ataque que sofrem. O termo ataque também é relativo, porque do seu ponto de vista os neopentecostais não estão atacando, mas evangelizando e libertando as pessoas do jugo do demônio.
Do ponto de vista dos afro-brasileiros, há uma deturpação do que são as religiões da umbanda e do candomblé.
Já a Igreja Católica fica com um pé atrás porque essa guerra respinga nela própria, na medida em que os neopentecostais também atacam o catolicismo. Todo mundo fica em alerta em relação às consequências dessa situação.

Esses ataques às religiões afro-brasileiras são de certa forma mais tolerados em função também de um aspecto de racismo na sociedade brasileira?

Existe sim uma dimensão racial que envolve o debate. Porém, isso é muito complexo, em primeiro lugar porque não podemos correr o risco de dizer que as religiões afro-brasileiras são apenas de negros. Já foram, mas não são mais. O problema não é de quantificação, mas de representação. Essas religiões são vistas como de tradição africana.
À medida que se combatem a religião e a tradição, se combate também uma herança que foi fundamental para constituir a identidade da população negra no Brasil, e essa herança e sua história são de origem africana. É difícil separar nesse pacote o que é só o fenômeno religioso e o que é a cultura.
O que está acontecendo agora é que, por conta do ataque a essas religiões, as pessoas começam de novo a associar o mal ao negro. No discurso do pastor, as religiões são más porque nelas existe um demônio, e o nome desse demônio é exu, uma entidade africana. Poucas vezes a gente vê nas sessões de descarrego das igrejas neopentecostais demônios que não sejam da tradição africana, ou vistos como tal.
Nunca se vê, por exemplo, o demônio europeu da bruxaria da Idade Média. Mas lá estão exus, pombagiras, Maria Padilha. Ruins ou não, são deuses de um sistema.

Um sistema que vem sendo visto de forma cada vez mais negativa, não é?

Sim. Hoje há um preconceito crescente nas escolas contra as religiões afro-brasileiras por conta de alunos que são de família evangélica, seus pais, coordenadores pedagógicos e diretores que não estão sequer interessados em colocar as coisas em termos mais neutros em relação à própria cultura.
Se você tiver aula sobre a cultura da Grécia, vai aprender sobre os seus deuses. Mas nenhum professor, ao ensinar mitologia grega, dirá aos seus alunos para acreditar em Zeus ou Apolo. Quando se trata de falar sobre as culturas e heranças africanas, há professores se negando a ensinar questões relativas aos orixás.
Eles perguntam: “Como vamos ensinar o que são os orixás, suas cores e domínios, se os orixás são demônios?”. Existe uma confusão entre o que é ensinar para fazer proselitismo e o que é ensinar para a diversidade. Aí sim está ocorrendo uma mistura.
O preconceito, a discriminação e o racismo que são típicos da sociedade brasileira afloram de outra maneira: não mais no discurso do negro em si, mas sim dizendo que os elementos que essa herança trouxe não são elementos positivos. No século XIX, o que levou o médico Nina Rodrigues a estudar o candomblé foi o intuito de provar que os africanos e negros eram inferiores e por isso adotavam um sistema religioso animista.
Hoje, a história se repete em outro contexto: reafirma-se pela religião um valor negativo associado a um grupo social que faz parte da própria história do Brasil.

Isso contribui para criar um quadro de intolerância que seria a novidade do cenário atual?

Acho que sim. A escolha do título do livro não foi ingênua, mas pensada. Cria-se um quadro de intolerância no sentido de que, se nunca houve uma aceitação plena, ao menos não se criava em plano nacional uma visão tão negativizada do sistema afro-brasileiro.
Na introdução, levantei alguns casos de intolerância e fiquei impressionado porque as coisas acontecem em cidades grandes e pequenas. Para citar apenas um deles: uma criança desaparece num bairro de periferia em São Luís (MA). Sua família é evangélica e vive próxima de um terreiro. Imediatamente chama-se a polícia, denuncia-se o terreiro, que é acusado de ter raptado a criança para fazer rituais macabros.
A polícia entra no terreiro, interrompe a sessão que está acontecendo e vasculha o local sem mandado. Obviamente a criança não foi encontrada lá, ao que parece estava na casa de parentes. Há casos de invasão ou depredação de terreiros, de expulsão de mulheres de um ônibus porque estavam com roupas típicas das religiões afro-brasileiras e assim por diante.
Essa batalha nunca ganhava a cena civil. Ela existia, mas sempre no plano doméstico. Hoje está havendo um retrocesso e infelizmente as pessoas começam novamente a ter vergonha de pertencer a essas religiões.

O livro chama a atenção para a fragmentação das entidades que representam as religiões afro-brasileiras. Com esse quadro, como fica a resposta pública aos ataques?

Fica complicada. O segmento que ataca é muito bem organizado, tem aliados muito poderosos e algumas décadas atrás descobriu que os meios de comunicação são extremamente importantes no processo de proselitismo. As igrejas depois foram para a política, tomaram gosto por ela, formaram bancadas e perceberam que podiam se articular muito além da conquista de concessões de rádio e televisão.
A partir daí, começaram a entrar em outras áreas, e essa orquestração estratégica faz com que os ataques tenham um efeito muito forte. Por exemplo: é possível que um vereador ou deputado, aproveitando as leis de proteção aos animais, apresente um projeto que proíba o sacrifício de animais no contexto religioso. Isso aconteceu em Porto Alegre.
Por sua vez, o segmento afro-brasileiro é historicamente bastante seccionado. São dois grandes grupos: o de candomblé e o de umbanda, que normalmente têm muitos antagonismos.

Quais são eles?

O candomblé se acha mais “puro”, mais próximo das heranças africanas originais, e a umbanda seria mais “misturada”, porque pega influências indígenas, kardecistas etc. Quando os ataques começaram, dirigiam-se basicamente a exus e pombagiras, e a verdade é que o segmento do candomblé não se importou muito, porque essas são entidades mais da umbanda. Mas como as coisas foram atingindo proporções cada vez maiores, a comunidade tentou se organizar melhor.
Isso tem dado algum resultado. Os terreiros, as pessoas ou as organizações têm entrado na Justiça e conseguido alguns ganhos, o que mostra que de fato os juízes têm considerado esses ataques como contravenção ou crime.

Por que existe essa fragmentação?

Historicamente o segmento não é organizado. Os terreiros são instituições autônomas, e cada pai-de-santo tem sua família de santo e seu parentesco religioso. Cada um constitui a sua legitimidade e vive do prestígio e da fama como bom resolvedor de problemas.
Mas não há uma estrutura hierarquizada, e portanto não são religiões burocraticamente organizadas. Isso enfraquece a capacidade de resposta, o que tem sido um grande empecilho para a reação. Os afro-brasileiros não têm muita familiaridade com a demanda por seus direitos, como aliás todos os segmentos populares no Brasil.

A questão é complexa porque não envolve só o aspecto religioso, mas entra pela mídia e pela política. Qual a arena mais adequada para se dar essa resposta pública?

Deveria haver uma resposta em vários planos. No plano jurídico, porque a lei garante liberdade religiosa. A Justiça tem sido bastante adequada nos julgamentos, mas vai coibir na medida em que há um reclamante.
A condenação no caso da Mãe Gilda foi exemplar. Se uma religião ataca outra publicamente, a atacada tem todo o direito de recorrer à Justiça, sobretudo quando se trata de vilipêndio de símbolos religiosos.
Se alguém chuta a imagem de uma santa católica na televisão, a Igreja tem o direito de recorrer à Justiça porque se trata de algo público e inclusive envolve uma concessão do Estado. É óbvio que a coisa se complica quando o ataque se dá dentro dos templos.
Também existe a liberdade do pastor de expressar sua opinião, e quem está lá dentro está porque quer. Quando os ataques ocorrem na televisão e nos espaços públicos, é preciso julgar até que ponto não está sendo ferido o direito que o outro tem de professar a sua fé e não ser discriminado por isso.
Por exemplo: você está numa festa de Iemanjá numa praia e de repente para um caminhão de som com alto-falante e surgem pessoas distribuindo folhetos e pregando contra aquilo. Ora, é um direito das pessoas celebrar suas divindades sem serem perturbadas. O mesmo acontece quando se está fazendo um ritual dentro de um terreiro e um carro de som também para na frente e fica anunciando uma igreja. Quando a coisa chega nesse cenário, de fato há um ataque ao direito da pessoa de professar a sua fé.

O livro cita exemplos de grupos que estão utilizando estratégias de legitimação pública inspirados no que a própria Iurd fez, pela via política e pela mídia. Esse é um caminho?

É difícil eleger candidatos identificados com o segmento porque eles não têm por trás uma estrutura ou apoio em termos financeiros que essas igrejas têm. Acredito que o caminho é realmente se expor, ir à cena pública sempre que possível das mais diferentes formas para mostrar o que está ocorrendo: na Justiça, na política e na mídia, mas sabendo das dificuldades nas três áreas.
Em Porto Alegre, se não fosse a mobilização, não teria sido revertida a proibição do sacrifício de animais. Aliás, não são só os afro-brasileiros que fazem esses sacrifícios. Outras religiões também fazem, como a islâmica e a judaica. Por que a lei vai só contra os afro-brasileiros?

A Rede Globo passou a prestar mais atenção na Iurd e a fazer reportagens críticas em relação a ela quando Edir Macedo comprou a TV Record, em 1989. Como analisar essa briga religiosa invadindo a seara da mídia?

São campos que se sobrepõem. O neopentecostal atualmente tem como centro a TV Record, que pertence a um sistema religioso. Há uma oposição à Record, que é a Globo, e há uma disputa entre as emissoras. Juntando a arrecadação entre os fiéis nos templos da Iurd e a publicidade na Record, há um poder muito grande.
A Globo, que tradicionalmente procurou se associar à imagem da Igreja Católica, percebe que isso tem consequência em termos de audiência. Some-se tudo com a política e o quadro vai ficando cada vez mais complicado. O que é curioso é a lógica dos próprios campos, ou seja, o religioso, o político e o televisivo.
Um age em função do outro: o religioso não age só em função do proselitismo, mas se alia à televisão, porque ela pode atingir milhões de pessoas, e a televisão enxerga nesse rebanho mais espectadores e, portanto, a oportunidade de vender mais publicidade. Já a política percebe que tanto o rebanho de fiéis quanto os telespectadores também são eleitores.
Então todos esses segmentos, de telespectadores, de rebanho de fiéis e de eleitores, participam de uma engrenagem bastante interessante.

A Iurd entrou com uma enxurrada de processos contra órgãos de imprensa, especialmente a Folha de S. Paulo, alegando que a liberdade religiosa dos seus fiéis tem sido atacada na imprensa. Não é uma situação curiosa, na medida em que ela costuma bater nos outros, mas demonstra não admitir a crítica?

O que achei curioso nesse caso da Folha é a ação ter ocorrido em vários pontos do Brasil com a mesma formatação, e os juízes têm percebido como a Iurd consegue orquestrar uma ação em plano nacional. Aí há de fato uma questão de liberdade de imprensa misturada com a liberdade religiosa.
A Iurd não estaria sendo coibida na sua liberdade religiosa, como acusa, se não avançasse sobre outro campo. Isso é problema para ela porque, quando avança sobre outra denominação, a Iurd avança exatamente como forma de proselitismo e acaba vivendo simbioticamente com ela. Hoje em dia é difícil pensar em culto da Iurd sem descarrego e sem todo aquele aparato que ela retira do afro-brasileiro e que é o que lhe dá movimento. A Iurd precisa e vive de quem ataca.

Nos seus ataques, a Iurd diferencia o que é de umbanda ou candomblé?

Não há grande cuidado de diferenciar. Tudo é demônio, ou as várias faces do demônio. Claro que o Edir Macedo, a considerar pelas suas publicações, tem conhecimento grande do sistema. Ele pega as entidades mais polêmicas, que são os exus e pombagiras, porque elas já tinham sido demonizadas anteriormente pelo cristianismo. Exu está associado à sexualidade e é cultuado em altar na forma de falo.
Quando os colonialistas europeus chegaram na África e depararam com esse tipo de entidade, logo a associaram ao demônio. Sobretudo nos terreiros de umbanda, porém, você encontra a ideia do exu como um sujeito que trabalha para o bem e para o mal, que é negociável, enquanto o demônio cristão não é alguém com quem você negocia.
Você não vai pedir coisas boas, porque ele é o mal absoluto. Quando se fala que houve uma demonização do exu, digo que houve também uma “exuzização” do demônio. Se a pessoa dá a comida e a bebida, o exu faz tanto o bem como o mal.
No sistema afro-brasileiro, as pessoas até que deixaram esse demônio com essa aparência, porque sabem que não é o demônio cristão: é um exu mesmo, na aparência de um demônio cristão. Quando esse demônio vai para o sistema neopentecostal, não é mais o ser da negociação: volta a ser o demônio absoluto, mas com o nome daquele demônio da negociação.
Causa confusão, porque a pessoa que trabalhou vinte anos com seu exu na umbanda, quando vai para a igreja neopentecostal, é convencida pelo pastor que durante aqueles anos todos a entidade só fez o mal dizendo que estava fazendo o bem. Ela se sente enganada por sua própria entidade.

Como se dá essa relação simbiótica entre o neopentecostal e o afro-brasileiro?

A igreja neopentecostal precisa a toda hora “desmascarar” esse demônio para prosseguir no seu proselitismo. O neopentecostalismo absorve um conjunto de práticas dos terreiros, como as entidades, o uso de velas coloridas, as rosas vermelhas e brancas, aparatos como sabonete do descarrego ou óleo da purificação.
A diferença é que na igreja você compra o sabonete do descarrego e nele está escrito um versículo (como: “Vai, lava-te sete vezes no Jordão, e a tua carne será restaurada, e ficarás limpo”, de 2 Reis 5.10). Todo esse arsenal de elementos é trazido para o campo neopentecostal e usado no sentido que ele quer dar.
O Edir Macedo diz que na verdade esses são elementos bíblicos que o demônio levou para o campo afro-brasileiro e que agora a Iurd está recuperando. Trazida para o campo cristão, essa magia fica muito mais legitimada. Posso ter até receio de usar um sabonete que o pai-de-santo me recomendou, mas se vou na igreja e o pastor diz que posso usar porque está na Bíblia, fico mais confortável. Não preciso ter vergonha de usar roupa branca, porque o próprio pastor se apresenta de branco, e assim por diante.

O diferencial da Iurd em relação às outras igrejas evangélicas e à própria Igreja Católica foi ter reconhecido e legitimado o poder das entidades das religiões afro-brasileiras?

Assim como o catolicismo, as igrejas pentecostais batiam, mas não lidavam com as entidades trazendo esse poder para o seu próprio campo, como fazem as denominações neopentecostais do tipo da Iurd. Obviamente a Igreja Católica nunca aceitou práticas que não fossem as suas, mas a bem da verdade por baixo da batina ocorriam sincretismos e associações para os quais muitas vezes a Igreja fazia vista grossa.
A Igreja sabia que todo esse catolicismo popular, como a Congada, as festas do Divino Espírito Santo, as Folias de Reis, muitas vezes tinha um pé no terreiro e na herança africana, mas sempre deixou que isso também fizesse parte da constituição dessa vivência, embora a atacasse no discurso oficial.
Os protestantes já rompem com essa herança e têm uma visão teológica mais enxuta em relação a isso. O pentecostalismo traz novamente um avivamento que reativa uma certa experiência religiosa que o protestantismo já tinha deixado de lado e que o catolicismo tinha nos setores mais populares.
Quando o neopentecostalismo surge, a experiência do avivamento se aproxima muito mais da tradição afro-brasileira. Esses evangélicos percebem que ali existe uma força e puxam-na para o campo neopentecostal. Por isso o diálogo é tão intenso – e eu digo diálogo porque é ao mesmo tempo ataque e uso desses elementos. Os trânsitos são bastante complexos, mas de qualquer maneira todos estão dialogando.

O neopentecostalismo trocou o sacrifício de Cristo, que na teologia cristã tradicional selou a reconciliação entre Deus e o homem, por um sacrifício diário do Anticristo no púlpito. Como se dá essa inversão?

Nessa teologia, o tempo todo as coisas trocam de lugar. Na visão católica, o fiel pede ao santo e se o santo atende o pedido paga-se um ex-voto. Ou seja, primeiro o santo cristão tem que fazer a sua parte para que o homem pague a promessa.
No neopentecostalismo, primeiro é o homem que dá e coloca Deus na posição de devedor. E como, segundo a teologia desses pastores, Deus criou tudo para o homem e tudo está à sua disposição, o que o homem precisa para ter essas coisas? Apenas mostrar a sua fé, e ele a mostra dando tudo o que tem.
Essa moeda de troca no plano simbólico, a fé, se traduz numa moeda de troca efetiva de mercado. É por isso que o pastor diz: “coloque a mão no bolso, tire tudo o que você tem e mostre o tamanho da sua fé”. Ele não diz: “coloque a mão no coração e mostre a sua fé”.
A fé não se expressa mais em termos de atos, mas sim em termos do dinheiro que você dá para a igreja. E não é a quantidade em si que importa, mas sim a relação do que você dá em relação ao que tem.
Se você tem mil e dá cem, e outra pessoa que tem cem dá cinquenta, ela tem uma fé maior. Esse mecanismo foi um achado bastante grande na Teologia da Prosperidade: as igrejas enriquecem e ao mesmo tempo os fiéis colocam o divino na posição de ter que retribuir o que foi dado.
É uma inversão bastante significativa nos fluxos de dar, receber e retribuir.

É o que se chama de “protagonismo do demônio” no neopentecostalismo?

Nas religiões afro-brasileiras, o grande manipulador é o pai-de-santo que trabalha com exu, que é o mensageiro e mobilizador do sistema. A pessoa pede para o pai-de-santo, ele faz o sacrifício para exu, que leva o pedido para o orixá e este dá o retorno.
Quando o pastor subjuga o exu no púlpito, coloca-se no lugar desse intermediário e acaba sendo por excelência o sujeito da intermediação. Ou seja, derruba de uma vez só o pai-de-santo e o exu.
Quando coloca para trabalhar para ele um “ex-pai-de-encosto”, prova duplamente o seu poder como intermediário. Não é mais o exu, não é mais o pai-de-santo, mas é ele, pastor, que está na verdade fazendo o sistema circular. É claro que o pastor diz que não tem poder por conta dele e que o poder vem de Deus, mas quem está no púlpito é ele. Quando ele se veste de branco e assume aparência de pai-de-santo, as pessoas se identificam porque já conhecem essa linguagem e esses ritos.
Se não conhecem, estão aprendendo ali. Tanto é que o Ronaldo Almeida diz que essa igreja está produzindo os seus próprios exus.

A Iurd também usa citações e referências bíblicas fora de contexto para motivar os fiéis em suas campanhas?

A Iurd é bastante inventiva e dinâmica no sentido de trabalhar com os símbolos que estão presentes no imaginário e usá-los na igreja. Fiquei impressionado quando fiz uma tabela dessas correspondências para o livro.
Por exemplo: na Sexta-Feira Santa, a Iurd tem ritos com flores, perfumes, banhos de água fortificada, sabonetes abençoados de descarrego. É o que fazem as religiões afro-brasileiras, porque para elas esse é considerado um dia de fechamento de corpo.
Em setembro é a Festa de Cosme e Damião no catolicismo e festa de Erês para os afro-brasileiros. A Iurd faz distribuição de balas e doces “sagrados” e alerta para que os pais não deixem as crianças aceitarem balas de outros, porque elas podem estar amaldiçoadas.
Em junho, os católicos têm as festas de São João, com suas fogueiras, e os afro-brasileiros fazem a fogueira de Xangô. A Iurd então promove a Fogueira Santa de Israel. E assim por diante. Eles trabalham com o imaginário do povo, mas invertendo o sinal. Ou seja, pegam um sincretismo já constituído historicamente na sociedade brasileira entre catolicismo e religiões afro e fazem com que ele deságue no sistema neopentecostal.

Ser a igreja sincrética por excelência quando se afirma contrária ao sincretismo e até ao ecumenismo (diálogo com outras igrejas cristãs) não é uma contradição com o discurso da própria Iurd?

De fato, ela é uma igreja cristã, só que refém dessa população de exus e pombagiras e de todos esses sincretismos, e não pode abrir mão disso exatamente porque abriria mão do que é a sua força. Outras igrejas neopentecostais estão adotando esse modelo e acirrando o seu discurso.
A Igreja Internacional da Graça, de R. R. Soares, é um bom exemplo. Mas há também igrejas cristãs, inclusive pentecostais, que condenam a Iurd por ser sincrética e dizendo que o que ela faz não tem sustentação teológica ou doutrinária.

Até que ponto se pode dizer que os transes nessas religiões são experiências reais ou não? A pesquisa acadêmica se ocupa dessa questão?

Não costumamos nos perguntar sobre essa realidade no sentido mais objetivo. O transe é uma experiência muito particular do sujeito dentro do sistema religioso, e as pessoas do sistema é que vão julgar. No candomblé há uma categoria chamada de ekê, que é o transe de mentira.
O grupo diz que existem os transes verdadeiros e os falsos. Nós, da antropologia, nos baseamos no que eles dizem.
No caso do neopentecostalismo, as pessoas que incorporam usam a atitude de transe típica dessas entidades quando estão incorporadas nos terreiros. Do ponto de vista da aparência e da postura, são iguais aos que ocorrem no terreiro de umbanda com exu e pombagira.
A questão é: essas entidades vêm no templo da igreja por quê? Porque elas são chamadas a comparecer. Aquelas pessoas foram membros de terreiros e, portanto conviveram com aquelas entidades. O fluxo e o acesso a elas estão dados em outro sistema. Por isso, o pastor consegue chamar essas entidades na cabeça das pessoas e de fato elas vêm.
Agora: uma pessoa que nunca frequentou terreiro receberia essas entidades na igreja? Sim, porque ela está vendo aqueles outros transes e sendo socializada naquela experiência. Todo transe é uma socialização. Quando uma pessoa vê o transe em outra, deve imaginar que, se um dia receber aquela entidade, muito provavelmente ela vai se comportar daquela maneira.
É o que o Almeida diz quando afirma que a Iurd produz os seus próprios exus e pombagiras. Mesmo a pessoa que nunca foi num terreiro, se incorporar um exu ou uma pombagira, provavelmente vai fazê-lo naqueles termos, porque está vendo como essas entidades se portam, como falam, que expressões usam etc.
É uma questão complicada porque não é um processo consciente: envolve uma expressão inconsciente que vai aflorar dessa maneira. Porém, não é muito comum haver transe de orixás do candomblé na igreja neopentecostal. Podem ser vistos exus e pombagiras, mas eu nunca vi um orixá ser incorporado numa igreja.
O sistema também tem as suas próprias preferências em relação ao que incorpora ou não.

O neopentecostalismo e as religiões afro-brasileiras se aproximam também na dimensão do corpo?

O neopentecostalismo, de forma interessante, reintroduz a experiência do transe e do corpo na religião cristã. Sobretudo depois da Reforma e da Contra-Reforma, o cristianismo tem sido, em graus diferentes, uma religião de conversão racional. Ou seja, a pessoa ouve a Palavra, medita sobre ela e age em função de uma atitude da razão.
No neopentecostalismo, se reintroduz a mediação do sagrado pelo corpo, o que o próprio pentecostalismo de certa forma já fazia. Quem tinha essa experiência era muito mais o campo afro-brasileiro, porque as entidades baixavam.
Mesmo que a gente não pense no transe dos exus e pombagiras, mas pense no Espírito Santo, é a própria terceira pessoa da Trindade que está “baixando” num corpo humano. Isso não é pouca coisa. Se no imaginário cristão Deus, Jesus Cristo e o Espírito Santo estão lá em cima e uma das pessoas da Trindade vem ao corpo humano (o batismo no Espírito Santo), essa é uma experiência fundamental.
Porém, para o neopentecostalismo há o transe positivo, da grande divindade, e o transe negativo, das demoníacas.

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos e ALC